Congresso decide voto impresso sob intimidação militar


(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro vai liderar o desfile de um comboio de 150 carros blindados, aeronaves, lançadores de mísseis e foguetes marcado para esta terça-feira (10) nas proximidades do Palácio do Planalto. O ato militar, por ordem de Bolsonaro, é para celebrar a entrega de um convite para o presidente presenciar uma operação da Marinha na semana que vem, mas é visto como uma demonstração de força e tentativa de intimidação no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados deve se reunir para votar a PEC do voto impresso.

Para desfilar nas imediações da sede do governo, o comboio terá de passar pela Praça dos Três Poderes, o que caracterizaria o ato de intimidação ao Congresso Nacional.

O governador do Maranhão Flávio Dino (PSB) chamou o ato de provocação com "cara de ameça" e defende que seja cancelado.

“Esse desnecessário passeio de veículos militares pela Esplanada é uma provocação e tem cara de ameaça. Evento deverá ser cancelado. Nação precisa de serenidade e paz”, comentou no Twitter.

Segundo informou o UOL, oficialmente, o desfile é motivado pela entrega a Bolsonaro de um convite para assistir ao “maior treinamento militar da Marinha no Planalto Central”, com participação inédita do Exército e da Aeronáutica. No entanto, por óbvio, o convite poderia ser feito pelos Correios que o governo pretende privatizar.

A investida ocorre em meio a uma crise com o Poder Judiciário. Bolsonaro passou as últimas semanas fazendo ameaças contra a democracia. Na semana passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, cancelou reunião com os chefes dos Poderes após ataques de Bolsonaro a membros do STF, principalmente ao ministro Luis Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A tentativa de intimidação faz lembrar o que ocorreu dois dias antes da votação no Congresso da Emenda Dante de Oliveira, a chamada "Diretas, já!", em 23 de abril de 1984. O comandante-militar do Planalto, general Newton Cruz, em tom ameaçador, desfilou pela Esplanada do Ministério à frente de um comboio de tanques militares e carros de combate.

A emenda não foi aprovada, e a possibilidade de eleições diretas só veio ocorrer com a aprovação da nova Constituição, em 1988, ou seja, quatro anos depois da nova ameaça golpista

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