Conta de luz: mesmo com chuva, governo prolonga bandeira


Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O governo federal não pretende antecipar o fim da vigência da bandeira tarifária de escassez hídrica, que cobra um adicional de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) dos consumidores desde agosto do ano passado. Apesar das fortes chuvas registradas em diversas regiões do país, a previsão é que a cobrança se prolongue pelo menos até abril.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ainda não há como prever como será o cenário hídrico em 2022, mas há uma expectativa de que seja bem melhor do que o do ano passado.

“A nossa expectativa para o fim do período úmido (março, abril) é estarmos em condições bem melhores do que estávamos no ano passado”, disse o ministro, em entrevista, domingo, ao programa TV em Pauta, na TV Brasil.

Ainda segundo o ministro, o governo trabalhou para que não houvesse a possibilidade nem de racionamento nem de apagão. De acordo com ele, os consumidores – grandes , médios e pequenos – fizeram a sua parte. “Eu digo que foi um esforço coletivo”, disse.

Bento Albuquerque citou que países como os Estados Unidos e a China tiveram que racionar energia, o que não ocorreu com o Brasil (que repassou os custos de geração de energia por termelétricas para o consumidor).

Por conta da crise hídrica, em setembro, o governo acionou todo o parque térmico disponível no país. As termelétricas, que têm custos mais altos, garantiram o fornecimento de energia enquanto os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste ficaram em níveis historicamente baixo. Para financiar os gastos extras, foi criada uma nova bandeira tarifária de energia elétrica: a bandeira de escassez hídrica.

De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o balanço entre os gastos com termelétricas e o arrecadado com as bandeiras acumula um rombo de R$ 12,3 bilhões até novembro. Essa conta é transferida para os consumidores por meio das tarifas.

Com as chuvas nas últimas semanas, o nível dos reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste deve fechar janeiro na casa de 40%, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano passado (23%).

Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro chegou a prometer acabar com a bandeira tarifária, depois de um alívio dado pelas chuvas. De lá para cá, ele não falou mais do problema depois que técnicos do governo explicaram a ele que essa medida poderia gerar mais aumento nas contas em 2022 - ano eleitoral.

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