COP26: Brasil promete carbono zero até 2050


Sem a presença de Jair Bolsonaro, o Brasil participa da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26) — que começou neste domingo (31/10), em Glagow, na Escócia — com a árdua tarefa de desfazer a imagem negacionista e convencer a comunidade internacional do compromisso na redução do desmatamento e das emissões de gases causadores do efeito estufa.

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite / Foto: Antonio Cruz, Agência Brasil

A comitiva oficial é liderada pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e pelo chanceler Carlos França. O Brasil terá outros grupos em Glasgow, mas que deverão antagonizar com o governo federal. São esperados ao menos 10 dos 22 governadores que participam do Consórcio Brasil Verde, liderados pelo chefe do Executivo do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB/SP). O grupo pretende apresentar metas próprias de redução do desmatamento e das emissões, independentes das do Ministério do Meio Ambiente, e prospectar parcerias de negócios na chamada economia verde.


Também está na Escócia uma delegação de 40 indígenas brasileiros, a maior da história da mobilização dos povos tradicionais em conferências do clima. Lideranças e influenciadores indígenas deverão aproveitar a presença da mídia mundial para denunciar o governo brasileiro por genocídio no contexto da pandemia – acusação que acabou retirada do relatório da CPI da Covid-19 no Senado, causando indignação entre povos do país inteiro.

Reprodução

Nas semanas que antecederam o evento, sob pressão do agonegócio, o governo montou às pressas uma agenda positiva para apresentar em Glasgow. O Ministério do Meio Ambiente lançou na última quarta-feira (27/10) um programa chamado Floresta+Agro, que estimula a remuneração de produtores rurais que protegem áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais.


O Planalto lançou, dias antes, o Programa Nacional de Crescimento Verde, de financiamentos e subsídios para projetos e atividades econômicas sustentáveis. E apresentou nesta segunda (1º/11) à comunidade internacional, a proposta de neutralizar a emissão de carbono pelo país até 2050, cumprindo com 10 anos de antecedência a meta assumida pelo país no Acordo de Paris, de 2015.


O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, no discurso proferido na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), afirmou que o Brasil vai reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2030. A meta anterior era de 43%.


“Apresentamos, hoje, nova meta climática mais ambiciosa, passando de 43% para 50% até 2030. E de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP26”, disse ele.


Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, o Brasil teve aumento de 9,5% nas emissões de gases poluentes em 2020, em plena pandemia de covid-19. O resultado foi na contramão do mundo, que, globalmente, viu as emissões despencaram em quase 7% no ano passado.


Veja o vídeo do discurso do Ministro do Meio Ambiente


O presidente Jair Bolsonaro fez seu discurso na abertura da COP26 através de um vídeo gravado previamente. Em relação ao combate das mudanças climáticas, ele disse que o Brasil é "parte da solução, e não do problema". Bolsonaro também falou do Programa Nacional de Crescimento Verde, "que traz as preocupações ambientais para o centro da agenda econômica”.


“Ao promover uma economia verde, o programa vai orientar as ações de proteção e conservação do meio ambiente por meio de incentivos econômicos, direcionando discursos e atraindo investimentos”, garantiu o presidente brasileiro.


Confira o discurso de Bolsonaro:



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