Corregedora da PGR manda Lava Jato entregar dados sigilosos


Corregedora-geral do Ministério Público Federal, Elizeta Ramos (Divulgação/PGR)

A corregedora-geral do Ministério Público Federal determinou nesta quarta-feira (18) que a Lava Jato de Curitiba forneça cópias de todos os dados que a força-tarefa alega serem sigilosos.

Em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin revogou a liminar concedida pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, que obrigava a Lava Jato a compartilhar o acesso de seu banco de dados com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O sigilo de parte do material da Lava Jato provocou crise entre o procurador-geral, Augusto Aras, e membros da operação.

Em meio a essa crise, Aras chegou a fazer duras críticas à Lava-Jato de Curitiba, afirmando que o grupo possuía "caixas de segredos" e defendendo "corrigir rumos" da operação.

Em 8 de outubro, o presidente Jair Bolsonaro anunciou o fim da Lava Jato. A declaração surpreendente foi encarada pela oposição não como mais uma de suas bazófias mas uma sinalização do presidente de não querer ver um aliado ou ele próprio investigado um dia sob as "caixas de segredos" da força-tarefa de Curitiba. Na ocasião, Bolsonaro disse que tem "orgulho e satisfação" em dizer à imprensa que "eu não quero acabar com a Lava Jato, eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo".

A decisão desta quarta-feira (18) foi tomada pela corregedora Elizeta de Paiva Ramos, aliada de Aras, que foi nomeado por Bolsonaro. Segundo o pedido, o objetivo é apurar a existência de supostas irregularidades no material.

'Sob sigilo absoluto'

Elizeta argumentou que a decisão anterior de Fachin não interfere nas atribuições da Corregedoria para inspecionar o acervo da Lava Jato de Curitiba, por isso sua determinação não é irregular.

Segundo ela, a base de dados ficará acessível apenas à Corregedoria e mantida "sob sigilo absoluto", segundo publicado pelo jornal O Globo. A determinação vale apenas para a força-tarefa de Curitiba.

A Corregedoria tem como função investigar irregularidades envolvendo procuradores e a ordem não pode ser descumprida.

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