Correios vão à leilão por 'valorzinho' simbólico


Martha Seillier, do Ministério da Economia, de Paulo Guedes (Foto: Ricardo Botelho/Ministério da Infraestrutura)

Secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Martha Seillier afirmou que a empresa dos Correios, que teve lucro de R$ 1,53 bilhão no ano passado, será vendida por um "valorzinho" simbólico. Vinculado ao Ministério da Economia, de Paulo Guedes, o PPI é responsável pelas privatizações do governo Jair Bolsonaro.

"Vamos precificar todos os ativos dos Correios e tirar desse valor a obrigação de prestar serviço em todas as cidades do Brasil por mais alguns anos. Depois, vamos tirar desse valor todas as obrigações de pagar impostos que hoje a empresa não tem. Aí vai sobrar um valorzinho, vamos dizer assim, que é o quanto a gente vai pedir no leilão", disse a assessora de Paulo Guedes, em entrevista ao portal UOL, neste sábado (28).

"No fim das contas, o valor será simbólico. É claro que é uma empresa muito grande e a tendência é a gente ir para o leilão. Se tiver muita concorrência, haverá um ágio [diferença entre o lance mínimo e a proposta vencedora] e a gente vai acabar tendo um valor relevante na venda dos Correios. Mas esse não é o foco", disse ainda a secretária, deixando claro que o preço mínimo será muito menor do que o valor dos ativos da empresa.

Na primeira semana de agosto, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da privatização dos Correios. Com apoio total dos deputados do Centrão (grupo de parlamentares do "toma lá, dá cá", hoje fechado com Bolsonaro), o texto que libera a venda da empresa foi aprovado por 286 votos favoráveis e 173 contrários. Na ocasião, poucos governistas usaram a tribuna para argumentar a favor da privatização. Os que fizeram usaram argumentos rasos como “barateamento do serviço”, “quebra de monopólio estatal” ou “prejuízo para os cofres públicos”, mas foram prontamente rebatidos.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), por exemplo, resumiu assim, na ocasião: ”Bolsonaro deu uma entrevista recentemente e disse algo que vem cumprindo. Disse que antes de construir qualquer coisa é preciso destruir ‘o que está aí’. De fato, ele vem se dedicando a essa atividade. De desmonte, de entrega, de esvaziamento do Estado. Hoje é um dia de luto para o Brasil, para o povo brasileiro”.

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