Covid já teria matado quase 400 mil no país, admite Fiocruz

Ao novo boletim Sistema InfoGripe divulga, nesta sexta-feira (26/3), com dados de internações e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) relativos à Semana Epidemiológica 11 de 2021 (de 14 a 20 de março), a Fiocruz admite que o número real de mortes no Brasil em decorrência da Covid-19 já pode está perto das 400 mil. O InfoGripe traz análises divididas por estados, macrorregiões e capitais. A partir dos dados observados, o InfoGripe mantém todas as regiões do país na zona de risco para SRAG, com ocorrência de casos muito alta.

Desde 2020, o total de óbitos já registrados no Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), independentemente dos sintomas específicos apresentados, atingiu a marca de 379.619. Dos quais 264.148 (69,9%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 83.182 (21,9%) tiveram resultado negativo, e ao menos 10.463 (2,8%) ainda aguardam resultado. Dentre os positivos, em 99,2% foi identificado o vírus Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19. "Levando em conta o tempo até registro dos óbitos no sistema, o modelo de correção desse atraso nos indica que já podemos ter ultrapassado a triste marca de 400mil mortes por SRAG, sendo a imensa maioria associada a Covid-19”, afirma o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes.

O pesquisador da Fiocruz explica que para aqueles óbitos de SRAG em que foi possível identificar o vírus causador do quadro, a imensa maioria se identificou que eram casos de Covid-19. “Como sabemos que os exames não são perfeitos, com problemas na própria logística de coleta de amostra (tempo desde os primeiros sintomas, qualidade da coleta, armazenamento, entre outros) e o processo de envio dessa amostra para laboratório afetando a capacidade de detecção, é natural supor que entre os negativos tenhamos muitos falsos negativos. Isto é, óbitos de SRAG que foram sim consequência da Covid-19, mas em que o exame não conseguiu detectar o vírus. Da mesma forma, entre os que ainda não foram testados também podemos inferir que a grande maioria também está associada à Covid-19, pois é quem está dominando os casos e óbitos de SRAG desde março de 2020", esclarece.



Situação por região na semana (de 14 a 20 de março)

No boletim desta semana, chama atenção a situação da região Sudeste, que teve piora nos indicadores em relação a semana anterior. Minas Gerais e São Paulo estão com mais macrorregiões de saúde com sinal de crescimento do que na última atualização e no Rio de Janeiro todas as macrorregiões estão com sinal forte de crescimento. Além do Rio de Janeiro, o Distrito Federal, Sergipe e Tocantins também têm todas as regiões do estado com sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

Quase todos os estados brasileiros tem pelo menos uma região de seu território com sinal de crescimento de longo ou curto prazo. Em apenas 4 das 27 unidades federativas, observa-se tendência de longo e curto prazo com sinal de queda ou estabilização em todas as respectivas macrorregiões de saúde: Acre, Amapá, Roraima e Paraná.

Entre as 27 capitais, onze apresentam sinal de crescimento moderado ou forte e sete capitais apresentam sinal de queda na tendência de longo prazo. Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES) apresentam sinal forte (maior que 95%) de crescimento na tendência de longo prazo. Já Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Salvador (BA) apresentam sinal de queda pela primeira semana desde a retomada do crescimento observada este ano.

Para os estados, capitais e regiões com tendência de queda há uma ressalva importante, no entanto. “Como muitos locais estão operando próximos a sua capacidade máxima, é necessária a avaliação se essa queda é de fato redução na ocorrência de casos de SRAG ou reflexo do limite de novas internações por conta da ocupação de leitos. Além disso, se faz necessária a manutenção na queda de novos casos por um período mínimo de duas semanas para que essa queda possa se refletir em redução na ocupação de leitos por conta do período médio de internação”, afirma Gomes.

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