Covid mata até 3 vezes mais em redutos bolsonaristas


(Foto: Alan Santos/PR)

Atos e falas do presidente Jair Bolsonaro minimizando a pandemia, negando a vacina e contra o isolamento social exercem grande influência no eleitorado que o apoia, isso já se sabia. Levantamento da imprensa mostra também a influência do bolsonarismo nos altos índices de infecção e mortalidade por Covid-19 nas bases eleitorais de 2018. Quem mora em uma cidade na qual Bolsonaro venceu a eleição com folga tem três vezes mais risco de morrer por Covid-19 do que o morador de uma cidade em que ele foi derrotado. Mesmo quem é contra o negacionismo está exposto a um ambiente com risco maior de morte.

O levantamento foi feito pelo jornalista Ricardo Mendonça, do Valor Econômico, e repercutido pela coluna de Pedro Hallal, na Folha de S.Paulo, com o cruzamento dos dados do Painel Coronavírus do Ministério da Saúde e o Repositório de Dados Eleitorais do TSE.

A verificação cruzou os dados do resultado da votação para presidente no segundo turno de 2018 em 5.570 cidades brasileiras e a evolução dos casos e óbitos por Covid-19, e constatou uma relação direta entre a votação que Bolsonaro recebeu e o agravamento sanitário de cada município. Quanto mais votos uma cidade deu a ele, maior o número de pessoas infectadas e mortas pelo coronavírus. Quanto menor a adesão eleitoral, menos frequentes são os casos e óbitos.

Em 108 municípios, Bolsonaro teve menos de 10% dos votos; em 833, teve entre 10% e 20% dos votos, e assim sucessivamente, até chegar nas 214 cidades nas quais ele teve entre 80% e 90% dos votos e na única cidade em que teve 90% ou mais.

Nos tais 108 municípios, o número de casos é de 3.781 por 100.000 habitantes. Nos municípios em que ele teve entre 80% e 90% dos votos, esse número dispara atingindo 10.477 casos por 100.000 habitantes, e chegando a 11.477 no município em que Bolsonaro teve 90% dos votos.

Os dados de mortalidade são também chocantes. Varia de 70 mortes por 100.000 habitantes nas cidades em ele teve menos de 10% dos votos, até mais de 200 mortes nas cidades em que teve 50% dos votos ou mais. Na única cidade em que Bolsonaro fez 90% dos votos, a mortalidade é de 313 por 100.000 habitantes.

Veja a seguir a reprodução de dois gráficos do Valor.



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