CPI convoca Queiroga para depor pela 3ª vez


(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira a convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para prestar depoimento pela terceira vez - ele compareceu em 6 de maio e em 8 de junho. O ministro, que cumpriu quarentena forçada em Nova York após contrair covid-19, será cobrado a explicar temas como a descontinuidade do uso da CoronaVac na campanha de vacinação em 2022, a imunização de adolescentes no país e a retirada de pauta, por ordem do presidente Jair Bolsonaro, de um parecer sobre cloroquina na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no Serviço Nacional de Saúde (Conitec). A data do depoimento foi marcada pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), para o próximo dia 18, véspera da apresentação do relatório final do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL). No dia 20, a CPI votará o documento.

Na terça-feira, a CPI exigiu que Queiroga respondesse em 48 horas alguns questionamentos, mas não obteve resposta. A partir disso, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou o requerimento para a convocação do ministro.

Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse não duvidar que Queiroga será demitido do cargo após o encerramento da CPI. Ele questiona a mudança na pauta da Conitec por ordem de Bolsonaro.

"Estava previsto para hoje (quinta-feira) uma reunião da Conitec para finalmente emitir um parecer técnico da ineficácia do uso da cloroquina. O que ocorre? O presidente da República se irrita com o ministro Queiroga e determina, lá do Palácio do Planalto, a retirada do tema da pauta da Conitec", disse Randolfe, referindo-se à informação colhida pelo jornalista Cézar Feitosa, da rádio CBN, que veio a ser uma das fortes razões para convocar o ministro pela terceira vez.

O parecer que seria votado na reunião do Conitec determinou o uso da cloroquina apenas para pacientes com doenças reumatológicas ou malária, para as quais a droga é indicada. “Azitromicina e hidroxicloroquina não mostraram benefício clínico e, portanto, não devem ser utilizados no tratamento ambulatorial de pacientes com suspeita ou diagnóstico de covid-19″, acrescenta o relatório.

O relatório também sugeriu não administrar ivermectina, budesonida, colchicina e nitazoxanida em pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19, por falta de evidência científica. Esses remédios fazem parte do "kit covid" adotado pelo Ministério da Saúde a partir de orientações do chamado gabinete paralelo da saúde sob comando de Bolsonaro, conforme apurou a CPI da Covid.

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