CPI da covid quebra sigilos de empresários bolsonaristas


CPI da Covid, no Senado, reunida nesta quarta-feira (Foto: Agência Senado)

A CPI da Covid determinou nesta quarta-feira (16) as quebras de sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático de empresários envolvidos com o governo Bolsonaro em situações de interesse relacionadas à pandemia do coronavírus. Um deles é o empresário bilionário Carlos Wizard. Dono de uma fortuna avaliada em R$ 2,1 bilhões e bolsonarista assumido, Wizard é apontado como um dos integrantes do "gabinete paralelo", de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia.

Perdem também o direito aos sigilos Renato Spallici, aliado de Bolsonaro, e Renata Spallici, presidente e diretora da farmacêutica Aspen, que produz cloroquina, e foi apontada como uma das empresas privadas as quais o presidente da República pediu insumos diretamente ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, conforme descoberta da CPI. A Apsen é a maior fabricante de hidroxicloroquina do Brasil e recebeu R$ 20 milhões do BNDES em 2020, de um total de R$ 153 milhões que receberá por dois contratos assinados em 2019, conforme noticiado no dia 4 de março.

A comissão também aprovou as quebras dos sigilos dos empresários Francisco Emerson Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos, que intermediou o contrato de aquisição das vacinas Covaxin entre o Ministério da Saúde e a indiana Bharat Biotech, e José Alves Filho, sócio-administrador da empresa Vitamedic.

De acordo com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a medida é necessária para a apuração pela CPI de eventual enriquecimento ilícito das farmacêuticas fabricantes de medicamentos do chamado kit Covid, tratamento com remédios sem eficácia contra a covid-19.

A relação dessas empresas com o governo Bolsonaro também é alvo de investigação, uma vez que o presidente da República e o Ministério da Saúde promoveram o uso desses medicamentos por pacientes infectados pela doença.

Retirado sigilo de documentos

A CPI decidiu também pela quebra do sigilo de alguns documentos. A partir de agora, esses documentos passam a ser públicos.

Segundo os senadores, é do "interesse público" saber como foram as transações para compra de insumos e vacinas.

Entre as centenas de documentos, que ficam guardados em uma sala-cofre, estão telegramas sigilosos do Itamaraty e documentos da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre investigações.

Entre os documentos que foram alvo da quebra de sigilo, estão arquivos enviados pelo Ministério da Saúde no dia 10 de junho, nos quais constam informações sobre solicitações de vacinas e agulhas, assim como as respectivas respostas de empresas.

Já sobre o Itamaraty, a CPI quer apurar melhor a ida da comitiva brasileira a Israel, em março desse ano, com a meta de aprovar o spray nasal produzido no país contra a covid-19.

Em relação ao colapso de oxigênio ocorrido em Manaus, no Amazonas, em janeiro desse ano, a CPI também autorizou a quebra de sigilo de documentos enviados por empresas fornecedoras de oxigênio.

'Tentativa de obstrução'

No início da sessão desta quarta-feira, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), informou que há documentos disponíveis no Portal da Transparência e que o governo os enviava como sigilosos. Segundo o senador, a comissão já recebeu 1,5 TB de informações.

"É uma forma de tentar obstruir a investigação. É muito fácil botar o carimbo de sigiloso. Nós vamos tomar todos os cuidados necessários", disse Aziz.

Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg