CPI para investigar R$ 1,8 bilhão em gastos do governo com supermercado

Atualizado: 28 de jan. de 2021


Bancado partido Novo no café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro (Divulgação)

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que vai pedir instauração na Câmara de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que poderá se chamar "CPI da Barriga Cheia", para investigar o gasto de R$ 1,8 bilhão com produtos de supermercado pelo governo Jair Bolsonaro em 2020 - sendo mais de R$ 15 milhões apenas com leite condensado.

“O que é isso? É um estoque! R$ 15.641.777,49 só em leite condensado. Isso dá 2.604.000 caixinhas de leite condensado, 217 mil caixinhas por mês e 7.204 caixinhas por dia. Acabou a mamata? Vamos fazer a CPI da Barriga Cheia”, afirmou Pimenta, anunciando que “com certeza eu vou entrar com pedido de informação hoje (terça-feira (26)”.

Além dos itens de “cesta básica”, chamam atenção os R$ 16,5 milhões gastos em batata frita embalada, R$ 13,4 milhões em barra de cereal, R$ 12,4 milhões em ervilha em conserva, R$ 21,4 milhões em iogurte natural. Só em goma de mascar, foram R$ 2.203.681.

Em 2019, primeiro ano de governo, os gastos com leite condensado foram ainda maiores: R$ 26 milhões, segundo o portal de compras do governo.

A rotina do presidente Jair Bolsonaro de colocar leite condensado no pão no café da manhã fica bem aparente após levantamento divulgado pelo Portal Metrópoles no domingo (25).

Com base no Painel de Compras, do Ministério da Economia, a reportagem estimou gastos de mais de R$ 1,8 bilhão no carrinho de compras do governo, um aumento de 20%, incluindo todos os órgãos do executivo. Para a reportagem, foram considerados apenas os itens que somaram mais de R$ 1 milhão pagos.

Além do tradicional arroz, feijão, carne, batata frita e salada, no “carrinho” estiveram incluídos biscoitos, sorvete, massa de pastel, leite condensado – que associado ao pão forma uma das comidas favoritas do presidente – , geleia de mocotó, picolé, pão de queijo, pizza, vinho, bombom, chantilly, sagu e até chiclete.

Os valores chamam a atenção. Sem contar a compra de molho shoyo, molho inglês e molho de pimenta que, juntos, somam mais de R$ 14 milhões do montante pago. Pizza e refrigerante também fizeram parte do cardápio do ano. Débito de R$ 32,7 milhões dos cofres da União.

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