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CPI pede indiciamento de Bolsonaro e mais 60 golpistas


(Foto: Carolina Antunes/PR)

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou, nesta terça-feira (17), o relatório final da CPI dos atos de 8 de janeiro. Com 1.333 páginas, o documento pede o indiciamento de 61 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro e oito generais, pelos crimes de associação criminosa, violência política, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.


De acordo com a senadora, o documento é fruto das oitivas e centenas de depoimentos colhidos ao longo de cinco meses de trabalho da comissão. Ao apresentar o relatório, Eliziane Gama afirmou que "os golpes modernos, à esquerda e à direita, não usam tanques, cabos ou soldados".


"O golpe deve fazer uso controlado da violência. É preciso, sobretudo, que o golpe não pareça golpe", disse a senadora.


Ela acrescentou que no caso dos atos de 8 de janeiro, foi colocada em curso "uma guerra psicológica, à base de mentiras, de campanhas difamatórias, da disseminação do medo e da fabricação do ódio".


"É tanta repetição, repetição, repetição, potencializada pelas redes sociais, pelo ecossistema digital, que muitos perdem o parâmetro da realidade. O golpe avança pela apropriação dos símbolos nacionais. O golpe continua pelas tentativas de captura ideológica das forças de segurança. Por isso é importante atacar as instituições, descredibilizar o processo eleitoral", disse a senadora ao apresentar o relatório.


Bolsonaro

"A bandeira nacional foi usada como insígnias e símbolos nacionais uniformizaram os que se diziam patriotas", disse a relatora ao afirmar que tentativas de golpe se instrumentalizam por meio da formação de "forças paramililitares que preparam, arregimentam e armam forças milicianas", de forma a fazer com que o golpe não pareça golpe. "Por isso atacaram tanto as instituições democráticas", acrescentou.


Sobre a participação de Bolsonaro na tentativa de golpe, Eliziane Gama disse que, desde o primeiro dia de governo, o ex-presidente "atentou contra as instituições democráticas", mas que, antes mesmo de ser eleito, "alimentou a violência dos brasileiros contra qualquer um que discordasse minimamente dos ideais bolsonaristas".


"Bolsonaro proferiu, ao longo da carreira, discursos no qual dizia que, pelo voto, nada se mudaria no país, e que seria necessário uma guerra civil com pelo menos 30 mil mortes no país. Além disso, questionou a urna eletrônica, dizendo que ela seria sujeita a fraude, sem apresentar qualquer embasamento fático ou concreto", complementou.


No texto do documento, Eliziane afirma que os atos de 8 de janeiro tinham como objetivo não uma manifestação pacífica, mas a depredação.


"O oito de janeiro também não foi um movimento 'ordeiro e pacífico' que degenerou em violência: o tom virulento das convocações, a proibição da participação de crianças e idosos, os planos de sabotagem de infraestrutura, e as técnicas utilizadas e o material encontrado com os manifestantes provam que a depredação não foi um acidente de percurso, mas o próprio objetivo da mobilização", escreveu a senadora.


Memorial em Homenagem à Democracia

Além de Bolsonaro, constam entre os indiciados os ex-integrantes da ala militar do governo Bolsonaro Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa) e Luiz Eduardo Ramos (ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência); a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP); o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques; Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro) e Anderson Torres (ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal).


O relatório recomenda ainda a criação do Memorial em Homenagem à Democracia, a ser instalado na parte externa do Senado Federal, reforçando que o Brasil é um Estado democrático de Direito e que, no dia 8 de janeiro de 2023, a democracia foi atacada.


O presidente da comissão, o deputado federal Arthur Maia (União-BA), marcou a votação do parecer da relatora para a próxima quarta-feira (18).


Confira a lista completa dos pedidos de indiciamento:


MENTORES:

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa;

Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);

Luiz Eduardo Ramos, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência;

Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa;

Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;

Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército;

Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Luís Marcos dos Reis, sargento do Exército e ex-integrante da Ajudância de Ordens;

Ailton Gonçalves Moraes Barros, ex-major do Exército;

Antônio Elcio Franco Filho, coronel do Exército;

Jean Lawand Júnior, coronel do Exército;

Felipe Martins, ex-assessor-especial da Presidência;

Carla Zambelli, deputada federal;

Marcelo Costa Câmara, coronel do Exército e ex-integrante da Ajudância de Ordens;

Marília Ferreira Alencar, diretora de inteligência do Ministério da Justiça;

Sivinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal).


GSI:

Carlos José Russo Assumpção Penteado, general do Exército, então secretário-executivo do GSI;

Carlos Feitosa Rodrigues, general de Exército, então chefe da Secretaria de Coordenação e Segurança Presidencial do GSI;

Wanderli Baptista da Silva Junior, coronel do Exército, então diretor-adjunto do Departamento de Segurança Presidencial do GSI;

André Luiz Furtado Garcia, coronel do Exército, então coordenador-geral de Segurança de Instalações do GSI;

Alex Marcos Barbosa Santos, tenente-coronel do Exército, então coordenador-adjunto da Coordenação Geral de Segurança de Instalações;

José Eduardo Natale de Paula Pereira, major do Exército, então integrante da Coordenaria de Segurança de Instalações do GSI;

Laércio da Costa Júnior, sargento do Exército, então encarregado de segurança de instalações do GSI;

Alexandre Santos de Amorim, coronel do Exército, então coordenador-geral de Análise de Risco do GSI; e

Jader Silva Santos, tenente-coronel da PMDF, então subchefe da Coordenadoria de Análise de Risco do GSI.


PM-DF:

Fábio Augusto Vieira, policial militar

Klepter Rosa Gonçalves, policial militar

Jorge Eduardo Barreto Naime, policial militar

Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra, policial militar

Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues, policial militar

Flávio Silvestre de Alencar, policial militar; e

Rafael Pereira Martins, policial militar.


ENTORNO DE BOLSONARO:

Tércio Arnaud Tomaz, blogueiro e suposto participante do chamado Gabinete do Ódio;

Fernando Nascimento Pessoa, blogueiro e suposto participante do chamado Gabinete do Ódio; e

José Matheus Sales Gomes, blogueiro e suposto participante do chamado Gabinete do Ódio.


ENVOLVIDOS NO 8 DE JANEIRO:

Ridauto Lúcio Fernandes, general da reserva do Exército; e

Meyer Nigri, fundador da empresa Tecnisa.


FINANCIADORES:

Adauto Lúcio de Mesquita, sócio da empresa Melhor Atacadista;

Joveci Xavier de Andrade, sócio da empresa Melhor Atacadista

Mauriro Soares de Jesus, sócio da empresa USA Brasil;

Ricardo Pereira Cunha, procurador de Mauriro e integrante do grupo Direita Xinguara;

Enric Juvenal da Costa Laureano, consultor da Associação Nacional do Ouro;

Antônio Galvan, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Jeferson da Rocha, , integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Vitor Geraldo Gaiardo, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Humberto Falcão, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Luciano Jayme Guimarães, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

José Alípio Fernandes da Silveira, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Valdir Edemar Fries, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Júlio Augusto Gomes Nunes, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Joel Ragagnin, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo;

Lucas Costa Beber, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo; e

Alan Juliani, integrante do Movimento Brasil Verde e Amarelo.


ATENTADO À BOMBA:

George Washington de Oliveira Sousa, condenado pelo atentado ao Aeroporto de Brasília;

Alan Diego dos Santos Rodrigues, condenado pelo atentado ao Aeroporto de Brasília; e

Wellington Macedo de Souza, condenado pelo atentado ao Aeroporto de Brasília.


SUPOSTA CORRUPÇÃO NA PRF:

Alexandre Carlos de Souza e Silva, policial rodoviário federal;

Marcelo de Ávila, policial rodoviário federal; e

Maurício Junot, sócio de empresas envolvida em licitações da PRF.


Com informações da Sputnik Brasil


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