CPI pode prender Lorenzoni por coação a testemunha


Sessão da CPI da Covid realizada nesta quarta-feira (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, na noite desta quarta-feira (23), que a CPI da Covid poderá pedir a prisão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, se ele continuar a ameaçar testemunhas do processo. O relator da comissão parlamentar de inquérito disse que o ministro deverá ser convocado para depor.

Em entrevista coletiva, o ministro acusou o deputado Luis Miranda (DEM-DF) de mentir à CPI sobre irregularidades na compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, da Índia, e anunciou que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) foram acionadas para investigar o parlamentar e seu irmão, Luís Ricardo, chefe do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde.

Durante a entrevista, em tom inflamado, o ministro ameaçou o deputado, após dizer que "Deus está vendo" (Luís Miranda) "mentir deslavadamente": "Mas você não vai se entender com Deus só não. Vai se entender com a gente também…”, disse Lorenzoni.

“Vamos, nesse PAD, Processo Administrativo Disciplinar[na CGU], e junto à Procuradoria Geral da República, pedir abertura de investigação do deputado Luis Miranda e do servidor Luis Ricardo Miranda, baseados no artigo 339 do Código Penal, [por] denunciação caluniosa, e do artigo 347, [por] fraude processual”, afirmou.

O deputado Luis Miranda afirmou, em diversas entrevistas nesta quarta-feira, que ele e seu irmão se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro e alertou sobre suspeitas de corrupção envolvendo a aquisição da Covaxin contra a covid-19.

De acordo com documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), a Covaxin foi a vacina mais cara negociada pelo governo federal, custando R$ 80,70 a dose. O valor é quatro vezes maior que o da vacina da AstraZeneca, por exemplo. O valor pago pelo governo brasileiro também estaria 1.000% acima do preço estabelecido seis meses antes pelo fabricante indiano.

Além disso, o contrato para compra da Covaxin foi o único acordo do governo que teve um intermediário sem vínculo com a indústria de vacinas – o que foge do padrão das demais negociações e contratos para os outros imunizantes.

'Caso concreto de corrupção'

De acordo com a revista Veja, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), disse a interlocutores acreditar que, com as possíveis irregularidades na compra da vacina indiana, a comissão chegou a um caso concreto de corrupção envolvendo o governo Jair Bolsonaro e a pandemia.

O deputado Luís Miranda e de seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Fernandes Miranda, serão ouvidos pela CPI, no Senado.

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