Câncer no sistema nervoso central em crianças são 20% dos diagnósticos
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Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) — que incluem cérebro e medula espinhal
— estão entre os principais tipos de cânceres na infância e exigem atenção especial de
pais, cuidadores e profissionais de saúde. Apesar de ainda serem pouco conhecidos pelo
público, eles representam 20% de todos os cânceres infantis - e a principal causa de
mortes pela doença nesta faixa etária. Ficam atrás apenas da leucemia em número de
diagnósticos, mas lideram em impacto clínico e potencial de sequelas.
No Dia Internacional do Câncer Infantil (15 de fevereiro), especialistas reforçam que
informar pais, educadores e profissionais de saúde é uma das formas mais eficazes de
salvar vidas. Reconhecer sinais precoces, buscar avaliação médica e garantir acesso a
tratamento especializado são passos fundamentais.
Um dos maiores desafios relacionados ao câncer no sistema nervoso central em crianças
é o reconhecimento precoce dos sinais de alerta. Os sintomas iniciais nem sempre são
claros ou específicos, o que pode atrasar a investigação. Dor de cabeça persistente ou
progressiva, vômitos frequentes — especialmente ao acordar —, alterações de
equilíbrio, convulsões sem causa conhecida, mudanças de comportamento, queda no
rendimento escolar e alterações visuais são sinais que devem ser avaliados por um
médico, principalmente quando surgem de forma persistente ou associada.
“Diferente de muitos outros tipos de cânceres infantis, os tumores do sistema nervoso
central afetam diretamente funções essenciais, como movimento, fala, visão,
aprendizado e comportamento. Além disso, o diagnóstico pode ser mais complexo, já
que os sintomas iniciais nem sempre são específicos”, explica a Neuro-Oncologista do
Sírio Libanês, Caroline Chaul, única médica brasileira com especialização neste tipo de
tratamento no Brasil voltado para crianças.
O tratamento deste diagnóstico pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e,
em alguns casos, terapias-alvo e protocolos personalizados. No entanto, a jornada não
termina com o controle da doença. Muitas crianças precisam de acompanhamento a
longo prazo, reabilitação física, apoio neuropsicológico e suporte às famílias, reforçando
a importância de uma abordagem integral.
Fatores
Caroline Chaul explica que grande parte dos diagnósticos destes tipos de doenças em
crianças não necessariamente são congênitos, mas por alterações genéticas
experimentadas ainda nos primeiros anos de vida.
“Eles surgem, na maioria das vezes, por alterações genéticas adquiridas ao longo do
desenvolvimento, muitas ainda durante a gestação ou nos primeiros anos de vida, mas
sem estarem presentes ao nascimento como doença formada. Esta informação é
importante porque muitos pais podem se sentir culpados devida à transmissão genética.
Diferente do câncer em adultos, o câncer infantil não está associado a es lo de vida ou
fatores ambientais clássicos” afirma Chaul.
Entre os tumores do SNC mais frequentes na infância estão os astrocitomas — incluindo
os pilocíticos —, os meduloblastomas, os ependimomas e os craniofaringiomas. Cada
um desses subtipos possui características próprias, exigindo avaliação cuidadosa e
tratamento individualizado, geralmente conduzido por equipes multidisciplinares em
centros de referência.
Sinais de alerta: quando investigar
Um dos principais desafios é reconhecer os sintomas precocemente. Entre os sinais que
merecem investigação médica, destacam-se: dor de cabeça persistente ou progressiva; vômitos frequentes, especialmente ao acordar; alterações de equilíbrio ou coordenação; convulsões sem causa conhecida; mudanças de comportamento ou rendimento escolar; alterações visuais, como visão dupla ou perda visual
“Os tratamentos de câncer no Sistema Nervoso Central demandam equipes
multidisciplinares, cuidados personalizados e atenção às pesquisas que estão sendo
desenvolvidas. Cada tumor é único e todo o processo precisa ser respeitado para
garantir qualidade de vida ao paciente e clareza às equipes médicas”, alerta Chaul.
Biografia
Natural de Fortaleza (CE), Caroline Chaul é formada em Medicina pela Universidade
Federal do Ceará, com especialização em Clínica Médica na Universidade de São Paulo
(USP). EM 2010 iniciou residência médica em Oncologia, também na USP, e diante do
crescente interesse na área, escolheu o Memorial Sloan Kettering Cancer, em Nova
Iorque - o mais conceituado centro de pesquisa oncológica do mundo - para realizar o
seu fellowship e se integrar à um seleto grupo de Neuro- Oncologistas do mundo -
Caroline é a única brasileira com este título.
Através do mesmo expediente, retornou ao Memorial Sloan Kettering Cancer em 2022, e
ampliou seu escopo de atuação, também na Neuro-Oncologia, desta vez na área
pediátrica - grupo mais seleto ainda no mundo. Atualmente integra a equipe de médicos
do Sírio Libanês, em São Paulo, onde também coordena o curso de formação
de residentes em Oncologia da instituição, uma das mais respeitadas da América Latina.
Casada e mãe de duas filhas, Caroline Chaul divide seu tempo entre os atendimentos
médicos no Sírio Libanês; a transferência de seu conhecimento aos novos profissionais
da oncologia; pesquisas ao redor do mundo e a startup IOZ, focada em terapias cerebrais
individualizadas - onde é Chief Medical Officer (CMO) e responsável médica no
desenvolvimento de estudos clínicos em Neuro-Oncologia.
Fonte: Assessoria de Imprensa










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