De Santa Cruz a Tóquio, o voo da recordista Chayenne Silva


Chayenne Silva, mais rápida do Brasil nos 400 metros com barreiras, na Vila Olímpica (Alexandre Macieira/Prefeitura)

Mulher, negra, pobre e moradora da Zona Oeste. Chayenne Silva se acostumou desde cedo que nada seria fácil. Contra todas as dificuldades que a vida lhe impôs e as muitas vezes em que ouviu que não seria possível chegar longe, a velocista brasileira não se abalou. Desde os tempos em que era atacante do time de futebol da escola, em Paciência, até dar os primeiros "voos" no atletismo na Vila Olímpica Oscar Schmidt, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, chayenne decidiu que o seu destino dependia apenas da própria vontade. E o resultado do seu esforço já foi recompensado: aos 21 anos, a mulher mais rápida do país na sua modalidade seguirá, na próxima sexta-feira (16), para representar o Brasil na prova dos 400 metros com barreiras nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que começam dia 23 de julho.

Chayenne Silva é detentora do recorde brasileiro atual na modalidade (55s15), quebrado após longos 12 anos. Ela usa os últimos dias no Rio para treinar no equipamento da Prefeitura, em Santa Cruz, e assimilar a realização do seu maior sonho, que é disputar uma Olimpíada, mas já com uma certeza, a de que cumpriu a missão de ser exemplo para crianças e mulheres.

"Disputar a Olimpíada é o sonho de qualquer atleta, é o auge. Quero fazer o melhor possível, brigar por uma medalha, mas me sinto com uma missão cumprida: a de mostrar que a gente pode. A gente que é mulher, é preta, é da Zona Oeste, passa por dificuldades. Minha família nunca pensou em desistir. Hoje eu me vejo como um exemplo para crianças, mulheres… A gente pode chegar longe. Eu estou indo para Tóquio por todas nós", diz Chayenne, sem conseguir esconder a emoção.

Na terça-feira (13), além de uma sessão de entrevistas, a velocista recebeu a visita do secretário de Esportes Guilherme Schleder, de quem Chayenne se aproximou em janeiro, quando foi consultada sobre a forma de melhorar o piso da pista de treinos na Vila Olímpica. Para ela, as novas instalações do local vão ajudar muito na formação de novos atletas.

"A situação melhorou muito. A vila de Santa Cruz é a minha casa, faço questão de treinar aqui para as pessoas da área verem que podem ter um caminho vitorioso também", disse.

Guilherme Schleder entregou um placa de agradecimento e desejou boa sorte em Tóquio.

"Uma alegria enorme ter a Chayenne indo para a Olimpíada, por ela ser cria de Santa Cruz e usar o espaço desde pequena. E as vilas são isso, para o primeiro contato com o esporte. Quando a gente tem uma atleta que se destaca como a Chayenne, que vai para uma Olimpíada, é uma satisfação enorme. Vamos dar todo o apoio que a Prefeitura puder para que ela continue treinando no Rio e que venham daqui muitos outros atletas. Que ela traga uma medalha", afirmou Schleder, que assumiu a secretaria em janeiro deste ano.


Com informações da Ascom da Prefeitura

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