Debandada: entrega de cargos no BC e anúncio de paralisação


(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Em mais um movimento deflagrado no esteio da crise que assola o funcionalismo público federal, servidores do Banco Central (BC) iniciaram nesta segunda-feira (3) uma nova debandada com entrega de cargos e anunciaram adesão à paralisação marcada para o próximo dia 18.

O aumento salarial para os policiais federais e policiais rodoviários federais - uma demanda eleitoral do presidente Jair Bolsonaro -, que receberão R$ 1,7 bilhão do orçamento, foi o estopim da crise, iniciada após o Congresso aprovar o Orçamento de 2022, e segue causando problemas para o governo.

Em decisão semelhante à que foi tomada pelo Sindifisco (Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal) nos últimos dias de dezembro, o sindicato que representa os servidores do Banco Central (Sinal) iniciou movimento de entrega de cargos de chefia na autarquia nesta segunda-feira, para reivindicar reajuste salarial. As informações são da Folha de S. Paulo.

O Banco Central conta com cerca de 500 cargos de confiança comissionados.

O Sinal ainda anunciou a adesão de trabalhadores do BC à paralisação do dia 18, que está sendo organizada pelo Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado), que prevê para fevereiro uma possível greve geral do funcionalismo federal.

"Estamos começando hoje [3], a ideia é fazer reuniões virtuais com servidores de todo o Brasil para convencê-los a aderir, até como forma de pressão para conseguir uma reunião com o presidente [do BC] Roberto Campos Neto. A gente acredita que nas próximas duas semanas teremos uma lista grande", disse um dos representantes do sindicato.

Os servidores que eventualmente substituiriam os comissionados também serão convidados a aderir, abrindo mão de cobrirem os titulares.

"Vamos inviabilizar a administração porque não está sendo atendido o pleito justo também para servidores do BC", completou o sindicato.

O movimento começou com a entrega de cargos na Receita Federal. O Sindifisco estima que 951 auditores em postos de chefia já abriram mão de cargos comissionados.

Isso ultrapassa, segundo dados divulgados pela entidade, 90% dos efetivos. Outras carreiras do Executivo federal e do Judiciário começaram a se queixar do aumento previsto exclusivamente para policiais.

Entre elas estão os funcionários do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), peritos médicos e auditores agropecuários.

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