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Delator da Lava Jato: Lula merece saber da armação para levá-lo à prisão


Tony Garcia e Sérgio Moro (Fotos: Reprodução e Marcos Oliveira/Agência Senado)

O empresário Antonio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, que revelou esta semana ter agido como "agente infiltrado" na Lava Jato de Curitiba, sugeriu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Operação Lava Jato. De acordo com o delator, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa saber mais detalhes das armações para levar o petista à prisão em 2018. As informações são do portal 247.


"Após esse escândalo das conversas entre procuradores da Lava Jato e Moro, sugiro aos senadores Renan [Calheiros] e Randolfe [Rodrigues] que colham assinaturas para abertura de uma CPI no senado da república. O país precisa passar essa história nefasta a limpo. O Presidente Lula merece ter conhecimento de toda essa armação para levá-lo à prisão", disse Tony Garcia em rede social.

O empresário fez referência a conversas entre o ex-juiz Sergio Moro e promotores na época da Lava Jato. Segundo ele, na condição de juiz, o atual senador (União Brasil-PR) procurou o delegado da Polícia Federal Luciano Flores para buscar informações que pudessem comprometer Luís Cláudio Lula da Silva, um dos filhos de Lula. Foi o que apontaram novos diálogos de procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR) que constam no acervo da operação Spoofing, criada a partir da Vaza Jato, cujas revelações foram publicadas em veículos de imprensa.


Em entrevista à TV 247, o empresário denunciou que, a mando do ex-juiz, gravou de forma ilegal o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) em 2018. Tony Garcia ainda acusou que em 2006 deu uma entrevista para a Revista Veja incriminando o Partido dos Trabalhadores (PT) no caso do Mensalão. Nessa entrevista, Garcia dizia que José Dirceu era quem pagava o mensalão do PMDB – uma entrevista que mais tarde foi até mesmo utilizada como prova para condenar criminalmente o petista. Segundo o empresário, no entanto, o que foi dito à imprensa na ocasião havia sido combinado previamente com o entrevistador, enquanto a entrevista teria sido arranjada por Sergio Moro e o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.


“Eu fui entrevistado no meu escritório e eles me brifaram sobre o que eu tinha de falar. Eu fui briefado pelo Moro e o Carlos Fernando para pegar o PT”, disse Garcia, afirmando ter se encontrado com o jornalista da Veja um dia antes da entrevista, quando teria sido informado sobre tudo o que deveria responder no dia seguinte. “Isso tudo foi forjado. É um golpe feito nas estruturas do poder para chegar a quem eles queriam.”


“Nada aqui foi feito por acaso. Nada. Tudo foi de caso pensado. Eles criminalizaram a política, a advocacia, criminalizaram tudo, e depois eles foram buscar refúgio justamente no que eles criminalizaram [na política].”


Em 2021, o Supremo Tribunal Federal declarou a suspeição de Moro nos processos contra Lula, que teve os direitos políticos devolvidos. Em 2022, o atual senador foi derrotado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) por fraude em domicílio eleitoral e, por consequência, decidiu ser candidato pelo estado do Paraná.


Garcia afirma que possui provas para corroborar as denúncias e que pretende mostrá-las ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Supremo suspende processo

O ministro Dias Toffoli, do STF, determinou na última terça-feira (6) a suspensão dos processos envolvendo o empresário. A decisão abrange as ações que estão em tramitação na 13ª Vara Federal em Curitiba, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.


Com a decisão, os processos envolvendo Tony Garcia deverão ser enviados ao Supremo e nenhuma decisão poderá ser proferida nos casos. O despacho do ministro foi proferido após o empresário conceder entrevistas à imprensa e relatar que teria sido usado como "agente infiltrado" pelo ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato para gravar investigados nos processos e "perseguir o PT".


Entenda

Garcia é ex-deputado estadual no Paraná e assinou um acordo de colaboração premiada após ter sido investigado no caso Banestado por crimes contra a ordem tributária. O acordo foi celebrado em 2004 por Moro, magistrado que atuou no caso.


Anos depois, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a suspensão do acordo por "suposta omissão" e pediu a reativação do processo.


Segundo a defesa, em março de 2021, Tony Garcia foi ouvido pela juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro, e relatou o "cometimento de crimes" pelo ex-juiz na condução do processo. Em novembro de 2022, a juíza declarou a rescisão do acordo de colaboração conforme pedido do MPF.


De acordo com os advogados, a denúncia feita por Garcia foi levada adiante apenas após o juiz Eduardo Appio, que foi afastado da 13ª Vara, tomar providências e enviar o caso ao Supremo.


Defesa

Após a divulgação da entrevista de Tony Garcia, o senador Sergio Moro (Pode-PR) divulgou nota na qual afirmou que os relatos são "mentirosos" e "sem amparo em provas".


Em despacho assinado na última segunda-feira (5), Gabriela Hardt se declarou suspeita para continuar julgando o processo sobre Tony Garcia. Ela afirmou que está processando o acusado.


"Uma vez que esta magistrada protocolou perante o Ministério Público Federal nesta data representação criminal por crime contra honra, que entende tenha sido cometido em razão da minha atuação como magistrada pelo réu Antonio Celso Garcia, declaro minha suspeição por motivo superveniente de foro íntimo", escreveu.


Com informações da Agência Brasil

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