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Delator diz que alertou Witzel sobre 'batom na sua cueca'


Delator Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Em seu depoimento no processo de impeachment nesta quarta-feira no Tribunal Especial Misto, o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), tentando provar sua inocência, chorou e partiu para o ataque contra o ex-secretário de Saúde Edmar Santos, acusando-o de receber propina. Mais cedo, durante seu depoimento, o ex-secretário disse que alertou o chefe sobre riscos de reabilitar a Unir Saúde, Organização Social que estava impedida de fazer negócios com o governo do estado, e entregou: “O senhor falou que iria requalificar a Unir, e eu disse que seria um 'batom na sua cueca'", afirmou Edmar, na frente de Witzel.

"O que tem de concreto no processo? Edmar foi pego com oito milhões. Ele foi pego com a boca na botija. Não conseguiu se livrar da investigação. E digo mais, Edmar fez a delação pra evitar que Gabriell Neves fizesse a delação na frente dele", afirmou Witzel, referindo-se ao ex-subsecretário de Saúde, preso em maio do ano passado por suspeita de fraude na compra de respiradores. Ele foi exonerado em abril pelo governador Wilson Witzel.

"Nunca avalizei o nome de Gabriell Neves. O rosário de acusações contra Gabriell Neves é vasto. O rosário de acusações contra Edmar é vasto. (...) Edmar tinha um patrão, que é o Edson Torres", disse Witzel.

Apesar de Witzel alegar que não participava de nenhum esquema criminoso na saúde, Edmar disse que Witzel teria ordenado repasses a municípios para agradar aliados, como Gotthardo Neto, prefeito de Volta Redonda, preso em agosto de 2020.

“Foram repassados R$ 21 milhões para Volta Redonda e R$ 16 milhões para Barra Mansa. O senhor me pediu para repassar dinheiro para Bom Jesus do Itabapoana, além de Volta Redonda e Barra Mansa”, afirmou Edmar, ainda acrescentando que “todas as Organizações Sociais estão comprometidas” no estado e que “não existe nenhuma OS que trabalhe de forma lícita”.

Antes de começar o interrogatório, Witzel pediu para falar e chorou enquanto dizia que "é muito cruel o que estão fazendo com a minha esposa".

A sessão do Tribunal Especial Misto é a última etapa antes da conclusão do processo.