Delegada presa na Operação Calígula é transferida para presídio


A delegada afastada da Polícia Civil do Rio de Janeiro Adriana Belém está presa no Instituto Penal Oscar Stevenson, unidade feminina em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro. Antes da prisão, ela foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) para cumprir as normas de entrada no Sistema Prisional do estado.

Na terça-feira (10), Adriana Belém teve a prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Calígula, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e foi levada para a Corregedoria da Polícia Civil, onde prestou depoimento e passou a noite. Na mesma ocasião, foi preso o delegado Marcos Cipriano - recolhido também ao presídio em Benfica -, apontado também por envolvimento na organização criminosa de jogos de azar chefiada pelo contraventor Rogério Andrade, o filho dele, Gustavo de Andrade, e o PM reformado Ronnie Lessa - preso pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson, em 14 de março de 2018. Cipriano é investigado por sua relação com Ronnie Lessa e, segundo investigadores, ele seria o elo entre a cúpula da máfia dos caça-níqueis e policiais. Há sete meses, ele é conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Rio de Janeiro (Agenersa).

Nesta quarta-feira (11), foi publicada no Diário Oficial do município do Rio de Janeiro, a portaria de exoneração da delegada do cargo em comissão de assessor II da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. De acordo com o portal da transparência do município, Adriana Belém foi admitida no órgão da prefeitura carioca em 13 de abril de 2021 depois de ser cedida pela Polícia Civil. Ela estava na "geladeira" da corporação desde 2020, quando foi afastada da titularidade da 16ª DP (Barra da Tijuca) após investigações sobre seu suposto envolvimento com o crime organizado.

De acordo com as investigações do MP-RJ, Adriana Belém, o policial civil Jorge Luiz Camillo Alves, Marcos Cipriano e Ronnie Lessa fizeram "acerto" para a retirada em caminhões de quase 80 máquinas caça-níquel apreendidas em uma das casas de apostas, mediante propina paga pelo contraventor Rogério de Andrade. Na denúncia que faz parte da Operação Calígula, os promotores afirmam que a organização criminosa estabeleceu “acertos de corrupção estáveis com agentes públicos, principalmente ligados à segurança pública”.

Na ação, que culminou com a prisão de 12 pessoas, entre as quais os delegados Marcos Cipriano e Adriana Belém, foram encontrados no apartamento onde ela mora, na Barra da Tijuca, cerca de R$ 1,8 milhão em espécie em sacolas de grifes e em uma mala de viagem no quarto do filho da delegada. No entendimento de promotores de Justiça, o valor encontrado “é um forte indício de lavagem de dinheiro”.

Segundo os promotores, no material apreendido na terça-feira na casa de Cipriano havia a cópia da decisão da Justiça definida na noite de segunda-feira (9) determinando a prisão. Para o MPRJ, isso aponta para vazamento da ação deflagrada ontem. O fato será investigado pela Força Tarefa.

Vida de luxo e riqueza

Licenciada da Polícia Civil desde 2020, recebendo vencimentos (R$ 27.248,23 no último mês), Adriana Belém faz questão de compartilhar sua vida luxuosa e seus amigos famosos nas redes sociais, onde faz questão de ostentar uma rotina social agitada, com festas em casas noturnas, sambas e pagodes, viagens a bordo de lanchas, idas a camarotes na Marquês de Sapucaí e ainda poses na varanda de seu apartamento, com vista para o mar da Barra da Tijuca. Na última semana, ela fez publicações exibindo um jipe avaliado em quase R$ 200 mil que deu de presente ao filho. O veículo foi enviado para blindagem após a compra. Na última segunda-feira, o carro foi entregue e ela fez questão de registrar o momento ao lado do filho.

Em uma de suas postagens, exibindo-se em uma lancha, ela escreveu: “Falador passa mal, não é meus amigos? Simples assim... Aos insatisfeitos: percorram o caminho que percorri! Certamente irão desistir ao saberem o preço que precisei pagar para estar aqui.. Hora de trabalhar, amores”.

Afastados

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) informou que os dois delegados alvos da operação não exerciam cargos atualmente na Polícia Civil. “Eles estão afastados e lotados em outros órgãos”. A secretaria acrescentou que a Corregedoria-Geral da instituição solicitaria acesso às investigações para dar andamento aos processos administrativos necessários, que podem levar à exoneração dos policiais.

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