Depois da CoronaVac, Bolsonaro se rende à Sputnik V


(Foto: Divulgação/Sputnik)

Depois de o governo Bolsonaro se render à vacina "comunista" produzida na China, CoronaVac, chegou a vez do imunizante da Rússia, Sputnik V, tomar o rumo do Brasil. O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (5) a intenção do governo de comprar 10 milhões de doses da vacina produzida pelo Instituto de Gamaleya, em Moscou. A compra, porém, só poderá ser realizada após a aprovação do uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, a aquisição de 10 milhões de doses da vacina está condicionada também a um "preço plausível".

"Iremos contratar e comprar 10 milhões de doses se o preço for plausível, e efetuaremos o pagamento após a Anvisa dar a autorização para uso emergencial da Sputnik V fazendo a disponibilização imediatamente aos brasileiros", disse.

"E futuramente, a depender dos entendimentos que tivermos com a União Química, interessa-nos também adquirir a produção que a empresa vier a fazer no Brasil dessa vacina", acrescentou Elcio Franco.

Incompetência, falta de iniciativa, irresponsabilidade

O presidente da república, Jair Bolsonaro, chegou a desdenhar das vacinas "comunistas" ao longo da pandemia.

Em outubro do ano passado, ele chamou a CoronaVac de 'vacina chinesa de João Doria" e até vaticinou: "A [vacina] da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população". Bolsonaro também comemorou como "vitória" quando foi divulgado que um voluntário dos testes da CoronaVac morreu, mesmo não havendo nenhuma relação com a vacina - foi um caso, comprovado, de suicídio. "Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu o presidente na ocasião, em suas redes sociais.

Em janeiro último, Bolsonaro excluiu a Rússia da lista de países que poderiam vender vacinas antes da aprovação da Anvisa, mesmo ao custo de atrasar a análise e a aquisição do imunizante produzido pelo Instituto Gamaleya. A medida original incluía laboratórios dos Estados Unidos, China, União Europeia, Japão e Rússia na lista de possíveis fornecedores.

Nesta quinta-feira, o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Flávio da Fonseca, ao avaliar por que o Brasil se encontra no fim da "fila" da vacina, afirmou que "o governo brasileiro foi extremamente incompetente na questão das negociações vacinais, desdenhando da vacina, da doença e dos países fabricantes", enquanto os outros países estão com mais doses porque seus governos tiveram mais iniciativa e responsabilidade.

Anvisa exclui fase 3

Nesta semana, a Anvisa retirou a exigência de estudos de fase 3 conduzidos no Brasil para aprovação de uso emergencial das vacinas contra a Covid-19. Nos casos em que isso ocorrer, a empresa diz que o prazo de análise do pedido será de até 30 dias.

Até então, os estudos da fase 3 tinham que ter sido feitos obrigatoriamente no país, o que não aconteceu com o imunizante da Rússia.

A Sputnik V tem estudos de fase 3 com resultados publicados na revista científica Lancet, uma das mais conceituadas do mundo, que confirmou sua eficácia média de 91,6% e de até 100% para os casos graves. The Lancet a classificou como uma "vacina para toda a humanidade".

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