Depois do ouro, Rebeca quer 'Baile de Favela' nesta segunda


A ginasta Rebeca Andrade conquistou neste domingo (1º) a primeira medalha de ouro na ginástica artística para o Brasil, nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ela venceu no salto e alcançou o lugar mais alto no pódio. O pódio veio com 15.083 pontos, após dois saltos de execução com alto grau de dificuldade.

É a segunda medalha de Rebeca Andrade nos Jogos de Tóquio. Ela já havia conquistado a prata no individual geral.

Com essas duas conquistas, aos 22 anos, é a primeira brasileira na ginástica artística a conquistar o ouro e a prata em uma mesma edição dos Jogos Olímpicos.

A atleta do Flamengo ainda pode conquistar a terceira medalha nesta edição. Nesta segunda-feira, ela disputa a final do solo e chega como uma das favoritas ao pódio. Ela se apresentará ao som do funk "Baile de Favela", com o qual eletrizou nas eliminatórias.

“Eu dedico a conquista da medalha de ouro a todo mundo, mas, em especial, ao meu treinador, Francisco Porath. A gente trabalhou muito e era um dos aparelhos em que eu tinha mais chance, como vocês sabem. Eu fiquei muito satisfeita. Acho que fico mais feliz com a felicidade dele do que com a própria medalha. Ele só quer me ver brilhar e a única forma que eu posso retribuir é com a minha ginástica e nosso trabalho. Eu pude fazer isso por ele na quinta, com a medalha de prata, e hoje, com a medalha de ouro. E é isso que eu vou buscar fazer, dar orgulho para as pessoas, para a minha família e pra mim”, disse Rebeca.

Executando dois dos movimentos mais difíceis no aparelho, um Cheng e um Amanar, ele conseguiu 15.166 no primeiro salto e 15.000 no segundo, chegando a uma média de 15.083. Ela foi a terceira a se apresentar na final e assumiu a liderança para não mais deixar até a oitava ginasta deixar a área de competição. A prata ficou com Mykayla Skinner, dos Estados Unidos, com 14.916 – americana que substituiu a estrela Simone Biles na final -, e o bronze com Seojeong Yeo, da Coreia do Sul, com 14.733. A ginasta de Guarulhos que defende as cores do Flamengo dominou as redes sociais com a prata no individual geral nos últimos. Apesar de saber de grande repercussão dos seus feitos, a jovem de 22 anos segue focada na busca de seu terceiro pódio olímpico.

“Estou bombando nas redes sociais, a galera ficou bem feliz. Mas a minha cabeça está a mesma de quando eu saí do Brasil para vir competir, totalmente concentrada, sabendo as coisas que importam e o que eu preciso fazer, para depois pensar em tudo isso que está acontecendo. Eu sempre reposto o que as pessoas me marcam, eu sei que elas torcem demais e querem o melhor pra mim, isso é muito legal. Estou bem centrada, amanhã tem mais um dia de competição, mais um dia que vou dar 110% de mim e é nisso que estou pensando... E na medalha também, claro”, concluiu.

Do projeto social em Guarulhos ao Flamengo

Aos 4 anos de idade, Rebeca começou a dar as primeiras piruetas no ginásio da Prefeitura de Guarulhos, em São Paulo, como integrande do projeto social Iniciação Esportiva, da prefeitura. Foi quando ganhou o apelido de "Daianinha de Guarulhos".

Filha da emprega doméstica Rosa Santos, mãe de sete filhos, nem sempre Rebeca tinha dinheiro para a passagem de ônibus e ia a pé, num trajeto de mais de duas horas, para os treinos.

Em pouco tempo, se tornou atleta de alto rendimento, competindo em torneios no Brasil e no exterior.

Aos 13 anos, já como atleta do Flamengo, ganhou seu primeiro grande título. Foi campeã brasileira desbancando as favoritas. Em seguida, ganhou o mundo. Aos 16 anos, conquistou a primeira medalha na Copa do Mundo de Ginástica, competindo nas barras assimétricas. Mas foi no salto, modalidade na qual subiu ao lugar mais alto do pódio neste domingo em Tóquio, que Rebeca se consagrou. Ela conquistou três ouros em etapas de Copa do Mundo - um feito para poucos e poucas no mundo, como sua grande ídolo Daiane dos Santos, campeã mundial em 2003.


Com informações do Comitê Olímpico Brasileiro

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