Projeto de bolsonarista para fechar a UERJ é arquivado


Projeto de Lei protocolado pelo deputado bolsonarista Anderson Moraes (PSL), propondo a extinção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a UERJ, foi considerado "um absurdo" e sequer será pautado pelo presidente da Casa, André Ceciliano (PT). O projeto será arquivado sem mesmo ser levado para análise das comissões.

Presidente da Comissão de Educação, Flávio Serafini (PSOL) chamou a proposta de "um absurdo" e "um surto autoritário".

"Essa proposta do deputado é um absurdo, um surto autoritário! A UERJ é uma das maiores Universidades do país e uma das mais populares por ter sido pioneira no sistema de cotas. Mas além disso, a proposta é inconstitucional, pois a existência da UERJ está consolidada no artigo 309 da constituição do estado. A UERJ resiste e seguirá forte produzindo conhecimento, ciência e tecnologia para o estado do Rio de Janeiro", disse Serafini.

Waldeck Carneiro (PT) disse que a proposta "é acintosa, além de patética", e desclassificou o projeto como "obscurantismo, de um lado, e privatismo, de outro".

"Já conversei hoje com o deputado André Ceciliano, que me assegurou que o projeto não será pautado", disse Waldeck, destacando que, "como presidente na Comissão de Ciência e Tecnologia da ALERJ e membro da comunidade científica do Rio de Janeiro, não medirei esforços para enfrentar e conter os ataques acintosos dos obscurantistas e negacionistas contra a ciência e suas instituições".

O deputado destacou ainda a importância da universidade: "A UERJ é um orgulho e um patrimônio do RJ! É uma das principais universidades do RJ e do Brasil, com reconhecimento internacional. É pioneira em programas de inclusão de jovens mais pobres da população no ensino superior público. Estruturou ações de extensão universitária importantes para aproximar a UERJ e a sociedade fluminense. E através do Hospital Universitário Pedro Ernesto cumpre um papel central no fortalecimento do SUS no RJ", elencou o deputado.

E acrescentou: " Sem falar na sua presença em vários municípios do RJ, como no caso das valorosas Faculdade de Formação de Professores, em São Gonçalo, e da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, em Duque de Caxias.

Sem esquecer um dos mais qualificados educandários públicos da história do RJ, que é o CAP-UERJ.

Por essas e tantas outras razões, é acintosa, além de patética, essa proposta estapafúrdia de extinção da UERJ, que, não esqueçamos, de quebra, pretende favorecer instituições privadas que receberiam, segundo o projeto, os bens públicos que hoje integram o patrimônio da UERJ. Ou seja, sandice e obscurantismo, de um lado, e privatismo, de outro."

O deputado Anderson Moraes, que ostenta em seu perfil nas redes sociais uma foto ao lado do presidente Jair Bolsonaro, escreveu em rede social: "Protocolamos projeto de lei que dispõe sobre a extinção da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - e a transferência da oferta de vagas à instituições privadas".

​Pelo projeto, o deputado quer que os bens da UERJ e seus alunos sejam remanejados para universidades particulares.

Em seu perfil nas redes sociais, Moraes alega "nítido aparelhamento ideológico de viés socialista na universidade" como uma justificativa para o fim da UERJ. Quando se candidatou, em 2018, Anderson Moraes possuía apenas o ensino médio concluído.

Comentários no perfil do deputado criticaram o parlamentar e ridicularizaram o seu projeto de lei.



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