Deputado bolsonarista volta a ameaçar indígenas da Aldeia Maracanã

O deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PSL-RJ) voltou a ameaçar de remoção a comunidade da Aldeia Indígena Maracanã, localizada na área do antigo Museu do Índio, próximo ao estádio Mário Filho. Acompanhado de 7 homens, todos sem máscaras e em atitude intimidadora, o deputado teceu injúrias racistas contra os indígenas, chamou-os de "falsos índios" e prometeu que vai lutar para remover o "lixo urbano" que ocupa aquele "espaço altamente valorizado".

Deputado Rodrigo Amorim, sem máscara. Reprodução / Facebook

A denúncia foi publicada em nota nesta terça-feira (29/9), na página do Facebook do movimento Aldeia Rexiste. Esta não é a primeira vez que Rodrigo Amorim tenta entrar na Aldeia Maracanã para proferir ameaças e afrontar os moradores.


Desta vez, os indígenas impediram a entrada, alegando que ele e os outros estavam sem máscara, e que o deputado já tem um histórico de injúria racial contra a comunidade. Os indígenas também disseram que não poderão ser despejados enquanto a justiça não se definir em relação ao caso.


Em resposta, um dos que acompanhavam o deputado afirmou que os indígenas "se aproveitam de certos aspectos socialistas da legislação para se manter". E que "o Ministério Público também é responsável por defender o 'socialismo' presente na normativa que protege os povos indígenas".


Na nota divulgada nesta terça-feira, o movimento Aldeia Rexiste cobrou uma providência da Alerj:


"De forma vergonhosa, a Alerj permite a atuação reiterada deste parlamentar, no abuso de suas funções, em flagrantes de quebra de decoro, de injúria e ameaça contra a comunidade indígena. Uma perseguição que já se arrasta há mais de dois anos. Em um conflito de interesses público e privado, representa a atual direção do clube-empresa do Flamengo, gestor privado do Complexo do Maracanã, principal interessado na remoção des indígenas para explorar o espaço como estacionamento. Além de agredir o direito da comunidade, isso também traria impactos para a vizinhança, tornando o tráfego já caótico no entorno em dias de jogos ainda mais inviável, e também riscos de possíveis explosões ocasionadas pela violência entre torcidas rivais".


A polêmica judicial em torno da manutenção da aldeia se estende desde 2013, quando o governador Sérgio Cabral tentou removê-la em razão dos Jogos Olímpicos. Naquele mesmo ano, a área foi ocupada por forças policiais que retiraram os indígenas, sob protestos de diversos segmentos sociais e políticos.


A ONG Justiça Global denunciou às Nações Unidas o suposto abuso de poder praticado pelo estado. Na ocasião da reintegração de posse, havia 60 indígenas na aldeia, sendo 40 adultos e 20 crianças.


Após a remoção, uma parte dos moradores da aldeia foi levada para um terreno do governo em Jacarepaguá. Porém, sem infraestrutura alguma, muitos deles voltaram para Aldeia Maracanã em abril de 2017 e até hoje aguardam uma decisão da justiça.

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