Desenho das redes de transporte é vital para população

Há alguns anos o transporte coletivo vem sofrendo com a queda no número de passageiros e ameaças de aumento no valor das tarifas, situação que foi agravada ainda mais após a chegada da pandemia. O professor Claudio Barbieri, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP, analisa como é possível otimizar a atual rede de transportes.

Foto: Secretaria da Mulher do DF

De acordo com o professor, a pandemia alterou a lógica das redes de transporte, com o receio das pessoas em utilizarem ônibus, metrôs lotados e a flexibilização dos horários de trabalho.


Um dos principais problemas do transporte público são os horários de pico — momento em que as pessoas estão se deslocando para trabalhar e estudar. No restante do dia, a quantidade de veículos e viagens é menor.

Cláudio Barbieri da Cunha / Foto: IEA-USP

“A pandemia talvez ajude a diminuir um pouco esse chamados picos de transporte e com isso a gente tenha um sistema mais equilibrado do ponto de vista econômico”, relata.


Barbieri aponta que os sistemas de transporte, de modo geral, refletem a forma como as cidades se organizam.


“A distribuição das pessoas no espaço urbano e suas atividades são fundamentais para definir como os sistemas de transporte vão procurar atender a essas necessidades. Há muito se fala que a gente precisa melhorar e organizar essa distribuição de espaço urbano para que as pessoas possam se deslocar menos e em distâncias menores. Infelizmente, esse tipo de medida demora muito tempo para conseguir ter algum efeito prático”.


Desenho das redes de transporte


O desenho das redes de transporte é fundamental para a organização e deslocamento da população. Ele engloba diversos aspectos como o itinerário, os pontos de partida e parada, o tamanho das linhas, os veículos utilizados, o intervalo entre os veículos, dentre outros.


“Algo que talvez a gente possa ver em um futuro breve seja a ideia de tentar melhorar essas redes de transporte coletivo ao fazer linhas que sejam mais diretas, linhas com maior frequência, que atraiam mais as pessoas e ajudem a diminuir um pouco o custo do serviço. É isso que se chama de otimização das redes de transporte”, comenta o professor, acrescentando que trata-se de um processo gradativo, para não prejudicar a população acostumada com a rotina dos serviços.


Segundo ele, um conceito que está surgindo e deve se estabelecer no pós-pandemia é o chamado MaaS (Mobility as a Service).


“Esse conceito passa justamente a procurar integrar mais os modais de transporte como um todo. Nós não estamos falando só de conexão de ônibus com trem e metrô, mas também para as pessoas enxergarem as diferentes opções. Como elas fazem para chegar até o ponto de ônibus ou até a estação de metrô, considerando bicicletas ou veículos de aplicativo? A pessoa pode naturalmente pegar um veículo de aplicativo para chegar até uma estação de metrô e de lá seguir parte da sua viagem”, diz o professor.


Fonte: Jornal da USP


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