Desmentido da Pfizer pode levar Pazuello de volta à CPI


(Agência Senado)

A CPI da Covid no Senado decidiu nesta sexta-feira (21) que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será convocado novamente para prestar um novo depoimento.

Senadores entendem que ele deverá prestar novos esclarecimentos diante dos documentos enviados pela Pfizer à CPI com todos os e-mails trocados entre a farmacêutica e o Ministério da Saúde.

Os documentos comprovam que as ofertas de vacinas contra o coronavírus feitas no ano passado ficaram sem resposta por parte do governo.

O entendimento da maioria dos senadores é de que o general mentiu desbragadamente em suas declarações dadas nesta semana durante as duas sessões em que foi ouvido.

O requerimento de convocação será feito pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) para ser votado na quarta-feira (26), segundo informação apurada pela CBN.

Parlamentares independentes e da oposição argumentam que Pazuello mentiu e inventou versões sobre os fatos que ocorreram durante sua gestão na pasta para "blindar" o presidente Jair Bolsonaro.

O relator da CPI, Renan Calheiros (PMDB-AL), elaborou um documento em que aponta pelo menos 15 mentiras que foram contadas pelo general.

Uma das mentiras apontadas foi quando Pazuello, questionado se a nomeação dele no Ministério da Saúde se deu sob a condição de cumprimento de alguma ordem específica, entre elas a recomendação de tratamento precoce com cloroquina, o ex-ministro respondeu: “Em hipótese alguma. O presidente nunca me deu ordens diretas para nada”.

Calheiros, porém, mostra que vídeo divulgado por Bolsonaro em outubro do ano passado, um dia após Pazuello ter sido desautorizado a fechar contrato para a aquisição da CoronaVac, o ex-ministro afirmou: “É simples assim: um manda e outro obedece".

Outra mentira, segundo o senador alagoano, refere-se à CoronaVac. Pazuello disse que o presidente “nunca” determinou que ele desfizesse qualquer contrato ou acordo com o Instituto Butantan para a aquisição da CoronaVac. “Nunca houve a ordem” (...) “Uma postagem na internet não é uma ordem”, afirmou.

Em outubro, o próprio Bolsonaro afirmou, porém, que havia mandado cancelar o protocolo de intenções. “O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade. Até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela, a não ser nós", disse o presidente.

Pazuello, contudo, disse à CPI que a declaração não representava uma ordem de cancelamento, mas somente uma “posição política”

“O Presidente do Butantan, Dimas Covas, antes mesmo do depoimento de Vossa Excelência, fez questão de enviar ofício para esta Casa, afirmando que, após a contraordem do Presidente da República, em outubro de 2020, houve uma completa paralisação do processo de negociação, só sendo realmente assinado em 7 de janeiro de 2021”, escreveu o relator.

O depoimento de Eduardo Pazuello era um dos mais aguardados na comissão e durou dois dias.

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