Diretores da Anvisa ameaçados por liberarem CovonaVac em crianças


(Fiocruz)

Diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltaram a ser alvo de ameaças e ofensas logo após a diretoria colegiada aprovar na quinta-feira (20) o uso da vacina CoronaVac contra a covid-19 em crianças e adolescentes (6 a 17 anos). Em mensagens recebidas nos e-mails institucionais, os cientistas que liberaram o uso do imunizante para essa faixa etária chegam a ser acusados pelas milícias digitais bolsonaristas de "falta de amor à pátria" e que o preço que eles irão pagar "será altíssimo". As informações são do Globo.

Em outro texto, um miliciano digital acusa os diretores da Anvisa de colocarem “vidas inocentes numa grande roleta russa” e afirma que eles serão alvos de uma "maldição": "o preço a ser pago será terrível não quero estar na sua pele e oro a Deus em desfavor de todos que tem causado dor e sofrimentos ao seu próximo, lembre se o próximo pode ser dentro de sua família (sic.)."

Desde dezembro, após o presidente Jair Bolsonaro (PL) ameaçar divulgar os nomes dos diretores que aprovaram a vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos, os servidores da agência têm sido alvo de ameaças por parte de milícias digitais. O caso é investigado pela Polícia Federal.

"Não sei se são os diretores e o presidente [da Anvisa] que chegaram a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico, mas, seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho", disse Bolsonaro, em sua live semanal, no dia 16 de dezembro.

Bolsonaro tem se colocado contra as vacinas durante toda a pandemia, diz que não se vacinou, e ultimamente voltou-se com campanha insidiosa contra a vacinação infantil contra a covid-19.

Na sexta-feira (21), o Ministério da Saúde anunciou que vai utilizar as doses da Coronavac na imunização de crianças e adolescentes, conforme aprovou a Anvisa. A decisão vem um dia após o governo de São Paulo iniciar a vacinação de crianças com o imunizante, o que mobilizou governadores de outros estados a pressionarem o governo federal pela liberação imediata da vacina.

Bolsonaro minimiza mortes: 'número insignificante'

Neste sábado, em uma nova demonstração de seu empenho contra vacinação infantil, mesmo após aprovação pelos órgãos científicos, Bolsonaro disse que a covid-19 matou "um número insignificante" de crianças.

Dados levantados pelo Poder 360 indicam que 558 crianças de 5 a 11 anos morreram da doença no Brasil até o final do ano passado. O Ministério da Saúde registra 311 óbitos de crianças durante a pandemia.

“Algumas morreram? Sim, morreram, lamento profundamente, mas é um número insignificante, tem que levar em conta se elas tinham comorbidade também”, disse Bolsonaro, em Eldorado (SP), um dia após a morte de sua mãe.

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