Discurso vergonhoso na ONU tem pior repercussão possível


(Foto: Democracy Brazil)

O discurso vergonhoso do presidente Jair Bolsonaro na 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (21), teve a pior repercussão possível, tanto no Brasil como no exterior. Destacam-se nas críticas o apanhado de mentiras e negacionismos que o presidente brasileiro apresentou ao mundo durante a sua fala na ONU. Nas redes sociais e em entrevistas, a tônica foi chamar Bolsonaro e o discurso de "mentiroso compulsivo" a "lamentável, triste, na forma, no conteúdo".

Líder da minoria na Câmara, o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) destacou a parte em que Bolsonaro diz que não tem corrupção no governo, e aproveitou para chamar o presidente de “mentiroso compulsivo” enquanto discursava.

“O chefe de uma quadrilha de ladrões de vacina falando que não tem corrupção no governo. Bolsonaro é um mentiroso compulsivo”, disse o parlamentar em uma rede social, e acrescentou: “Bolsonaro atacou a imprensa, fez pregação antivacina, promoveu medicamentos ineficazes contra a Covid, disse que não há corrupção no governo e mentiu sobre a destruição na Amazônia. Um vexame que degrada ainda mais a imagem do Brasil no mundo.”

O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista à TV 247, afirmou que Bolsonaro “tratou apenas de tentar, através de mentiras, falar só do Brasil, tentando se apropriar de coisas que foram feitas antes". Segundo Amorim, o pronunciamento foi "lamentável, triste, na forma, no conteúdo". Para ele, a fala teve "total ausência de sentido do que é um estadista".

"Quem tem que dizer se o país é atraente para investimentos são os investidores e o que a realidade está mostrando é o contrário: os investidores estão fugindo do Brasil", disse o ex-chanceler brasileiro, comentando a declaração do presidente de que "temos tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo".

O líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), classificou o discurso como mentiroso e negacionista.

“O discurso mentiroso e negacionista de Bolsonaro envergonha nosso país na Assembleia Geral da ONU. Seu governo fez do Brasil um exemplo? Apoiou a vacina? Nem ele acredita nisso. O Brasil inventado por Bolsonaro esbarra em qualquer semáforo desse país de famintos e desempregados”, disse.

Relator da CPI da Covid, que investiga a gestão do governo federal na pandemia de covid-19, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), após assistir vídeo do discurso do presidente na ONU, afirmou: "Bolsonaro repetiu seu papel de figura rudimentar, anacrônica, transitória e propagadora de mentiras. O seu discurso foi uma mentira só do começo ao fim.”

Jornalões americanos

Um dos jornais mais influentes do mundo, o The New York Times criticou o pronunciamento do presidente brasileiro, destacando o conteúdo negacionista e em defesa do "tratamento precoce" durante a pandemia.

"O presidente Jair Bolsonaro do Brasil deu início à Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira, defendendo o uso de drogas ineficazes para tratar o coronavírus e resistindo às críticas ao desempenho ambiental de seu governo", destaca o NYT.

Bolsonaro, segundo a publicação, "liderou uma das respostas mais criticadas do mundo à pandemia". "Bolsonaro minimizou repetidamente a ameaça que o vírus representava, criticou as medidas de quarentena e foi multado por se recusar a usar máscara na capital", diz a reportagem.

Já o Washington Post destacou que o "não vacinado Bolsonaro, do Brasil, parece quebrar o 'sistema de honra' da vacina das Nações Unidas durante o discurso". O jornal classificou sua fala como "desafiadoramente estranha para um evento que deve focar principalmente na resposta global à pandemia".

Na rede americana CNN, Bolsonaro foi apresentado como "líder populista conservador", que defendeu o tratamento precoce contra a covid-19 e tentou apresentar "um novo Brasil cuja credibilidade foi recuperada no mundo - muito diferente do país [real] devastado pelo coronavírus e pelos incêndios na Amazônia".

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