Dono do Telegram pede desculpas ao STF e admite negligência


Pavel Durov, dono do Telegram (Reprodução)

"Em nome de nossa equipe, peço desculpas ao Supremo Tribunal Federal por nossa negligência", escreveu o russo Pavel Durov, dono do Telegram, referindo-se à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, que determinou o bloqueio da plataforma em todo o Brasil na última sexta-feira (18). A decisão atende a um pedido feito pela Polícia Federal (PF).

Em mensagem publicada em seu canal na plataforma, o CEO prometeu executar a decisão da Corte e banir os canais que ferem a lei brasileira.

"Poderemos processar com eficiência as solicitações de remoção de canais públicos ilegais no Brasil", disse o empresário, que fugiu da Rússia em 2011 após atritos com o governo de Vladimir Putin e vive atualmente em Dubai, nos Emirados Árabes, onde está estabelecida a sede do Telegram.

A plataforma tem um prazo de cinco dias para cumprir a decisão, com possibilidade de multa diária de R$ 100 mil caso a medida não seja acatada.

Com a decisão do ministro do Supremo, o Brasil se tornou o 12º país a pedir o bloqueio do Telegram, criado em 2013 pelos irmãos russos Pavel e Nikolai Durov.

Moraes afirma que o Telegram se recusou a cumprir determinações do STF. Ele diz que a plataforma bloqueou perfis ligados ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, como estipulado em pedido judicial feito em fevereiro, mas a empresa não forneceu informações solicitadas sobre monetização e doações financeiras aos canais. Ainda, segundo o ministro, o Telegram não bloqueou perfil ligado a Allan dos Santos, que é investigado por crimes praticados na Internet, criado por ele como substituto.

Durov alega que houve "um problema" com os e-mails enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "Como resultado dessa falha de comunicação, a Corte decidiu proibir o Telegram por não responder", publicou.

Após pedir desculpas pelo que classificou como um "erro de comunicação", o empresário russo afirmou que entregou nesta sexta-feira (18) "outro relatório" à Justiça brasileira.

"Como dezenas de milhões de brasileiros contam com o Telegram para se comunicar com familiares, amigos e colegas, peço ao Tribunal que considere adiar sua decisão por alguns dias, a seu critério, para nos permitir remediar a situação", escreveu.

Bolsonaro reage

Depois de sofrer punições, como bloqueios e suspensões, em outras plataformas por disseminação e divulgação de fake news, perfis voltados a apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) se popularizaram rapidamente no Telegram. O canal de Bolsonaro tem mais de 1 milhão de seguidores desde o fim do ano passado. Os perfis dos filhos do presidente - Flávio, Carlos e Eduardo - também são populares, com 93 mil, 78 mil e 54 mil seguidores no Telegram, respectivamente.

Na noite de sexta-feira, Bolsonaro disse que a decisão de Moraes de suspender o Telegram no Brasil é 'inadmissível'.

"É inadmissível uma decisão dessa natureza. Porque não conseguiu atingir duas ou três pessoas que na cabeça dele deveriam ser banidos do Telegram, ele atinge 70 milhões de pessoas", declarou Bolsonaro, afirmando ainda que a decisão pode "causar óbitos" no Brasil "por falta de contato entre paciente e médicos".

Neste sábado, a Advocacia-Geral da União entrou com uma ação junto ao STF para tentar reverter a ordem de Moraes. Trata-se de um pedido liminar para tentar antecipar os efeitos da decisão antes de um julgamento pelo pleno do STF, com o objetivo de evitar que o aplicativo fique inativo no Brasil.

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