Dor e revolta no enterro de jovem assassinada em Shopping

Atualizado: 4 de jun. de 2021


Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

A jovem Vitórya Melissa Mota, de 22 anos, assassinada na quarta-feira (02/6) a facadas na praça de alimentação do Plaza Shopping Niterói, no Centro, foi enterrada na tarde desta quinta-feira (03/6), no Cemitério Maruí, no Barreto, em Niterói.


A cerimônia contou com a presença de cerca de 90 pessoas, entre familiares, amigos e colegas de turma de Vitórya. O enterro da jovem foi tomado por um sentimento de dor e revolta pelo crime brutal e torpe. Três parentes da vítima passaram mal no local e precisaram ser atendidos por médicos em uma ambulância.


Familiares afirmaram que Vytória era doce, estudiosa e muito dedicada, e que tinha planos de cursar uma graduação na área de saúde após concurso o curso de técnica em enfermagem que realizava em Niterói. Nas redes sociais, amigos e funcionários do local onde ela trabalhava no Plaza prestaram diversas homenagens, elogiando-a pela atenção e pelo carinho que sempre tinha com as pessoas.


O crime brutal chocou a cidade na quarta-feira. O acusado do crime foi identificado como Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos. Segundo a Polícia Civil, amigos da vítima contaram aos agentes que Matheus era apaixonado pela jovem e que havia se declarado para ela recentemente, mas que não foi correspondido.


O rapaz conheceu Vitórya no curso de técnico de enfermagem. Ele, assim como a vítima, trabalhava em uma cafeteria no Plaza Shopping. A Polícia Civil informou que Matheus comprou uma faca minutos antes de cometer o crime, já dentro do centro comercial. Após matar Vitórya, ele tentou fugir do local, mas acabou detido por populares até a chegada da Polícia Militar e, posteriormente, foi encaminhado à 76ª DP (Centro), onde o caso foi registrado. Na manhã desta quinta-feira (03), Matheus foi transferido para o sistema prisional.


Ainda na manhã desta quinta-feira, servidoras da Coordenadoria de Direitos da Mulher (Codim) de Niterói receberam a família da jovem na Sala Lilás e estiveram com os parentes no cartório para resolver toda a questão documental para liberação do sepultamento.


Delegacia

A coordenadora da Codim, Fernanda Sixel, também esteve na quinta-feira na delegacia para acompanhar o caso e prestar os primeiros suportes à família, assim como advogados representando a seção Niterói da Ordem dos Advogados do Brasil e o mandato do vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL). Havia uma preocupação quanto a tipificação do crime como um feminicídio.


"Infelizmente sabemos que ainda existem delegados que não tipificam adequadamente o crime como feminicidio. Comparecemos à Delegacia para prestar solidariedade à família e verificar essa tipificação. Felizmente a 76 DP vem procedendo com seriedade nestes casos e o delegado prontamente aplicou essa qualificadora que leva em conta a misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero. A luta contra o machismo deve ser uma pauta central de todos nós. Precisamos garantir que crimes terríveis de feminicídio como este de Vitorya e a grave tentativa de feminicídio do Quartel da Marinha sejam apurados e punidos adequadamente”, disse o vereador.


A OAB de Niterói, através do advogado Fabiano Amaral, também ofereceu apoio à família da vítima, garantindo que a Comissão de Direitos Humanos da entidade acompanhará o caso:


"Apenas em 2015 o Código Penal foi alterado para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Fizemos questão de acompanhar o registro para verificar a tipificação, que foi corretamente feita pelo delegado. A violência contra a mulher, por razões de gênero, é histórica e tem um caráter estrutural que precisa ser combatido a curto, médio e longo prazo por toda a sociedade", disse o advogado.

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