Dr. Jairinho, mentiroso convincente e violento desde a infância


(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Para os colegas da Câmara de Vereadores do Rio, Dr. Jairinho era "o príncipe", alinhado e gentil. Por trás da carapaça, seus ex-colegas de colégio primário e de faculdade revelam um outro Jairinho: violento desde a infância e um mentiroso contumaz e convincente já adulto.

Ouvido pelo Globo, um ex-colega de 35 anos atrás relata que sofreu bullying diário durante três anos no colégio particular Ferreira Alves, frequentado por crianças com mais recursos de Bangu, Zona Oeste do Rio. O agredido, que preferiu não se revelar, conta o sofrimento com "bandas e cascudos" durante o tempo que passou na escola. "Ele me batia com raiva. Em seguida, via no rosto dele uma expressão de prazer", disse a vítima, ressaltando que Jairinho, sem saber, era chamado de "esquisito" pelos colegas.

Ex-colegas citados na reportagem afirmam também que Jairinho era "muito mimado" pela família - tudo que ele queria, ganhava - com objetos de consumo, como os melhores carros e aparelhos e som.

Jairinho terminou a faculdade em 2004. Um colega conta que uma outra característica do vereador era manter relacionamentos amorosos com mais de uma mulher ao mesmo tempo e as perseguia quando o relacionamento terminava, o que também foi comprovado nas investigações da morte de Henry.

Jairinho se formou em Medicina e nunca exerceu a profissão. Segundo um colega, surgiu um Jairinho mitômano, que contava vantagens sobre conquistas amorosas e inventava histórias, rindo quando era descoberto."Jairinho era um mentiroso contumaz e convincente", afirmou.

Dr. Jairinho já não é mais chamado de "príncipe" por seus colegas vereadores, nem usa mais os ternos impecáveis que lhe emprestaram o título nobre. Agora usa bermudas, camisetas e chinelos, já que responde na cadeia, na penitenciária de Bangu 8, pelo assassinato do enteado Henry Borel, de 4 anos.

Nesta segunda ou na terça-feira, o delegado Henrique Mascarenhas, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) deverá anunciar o encerramento do inquérito, confirmando o vereador Dr. Jairinho, agora bastante conhecido da polícia, como o autor do espancamento até a morte de Henry, com 23 lesões no corpo identificadas no laudo do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, na madrugada do dia 8 de março. Com ele, deverá ser denunciada também como cúmplice do homicídio duplamente qualificado a mãe do menino, Monique Medeiros, que está presa em penitenciária em Niterói.

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