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Dívida interna recorde dos EUA ameaça a economia mundial

  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

(Reprodução)
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Washington registrou uma dívida pública histórica ao superar, pela primeira vez, a marca de 40 trilhões de dólares, um fato que aprofunda a vulnerabilidade estrutural da maior economia mundial.


A atualização do Departamento do Tesouro confirma a rápida deterioração das finanças da potência norte-americana, impulsionada por uma dinâmica de endividamento contínuo, déficit orçamentário crônico e decisões de política fiscal que comprometem a estabilidade financeira da maioria da população.


O aumento do endividamento, consolidado tanto sob administrações democratas quanto republicanas, ganha força sob o mandato do presidente Donald Trump.


O acúmulo de passivos avança a um ritmo de aproximadamente um trilhão de dólares a cada 100 dias, situação que expõe a ineficácia das promessas de austeridade estatal e revela o impacto desequilibrado dos benefícios fiscais concedidos ao grande capital.


Dinâmica do endividamento e o peso das políticas fiscais

A trajetória recente dos passivos federais mostra uma aceleração acentuada em comparação com décadas anteriores. Em janeiro de 2017, a dívida era de 19,95 trilhões de dólares; desde então, o saldo dobrou.


Durante o primeiro mandato presidencial de Trump (2017-2021), o endividamento cresceu 7,8 trilhões de dólares, impulsionado pelos gastos de resposta à pandemia. Por sua vez, a gestão de Joe Biden (2021-2025) aumentou o endividamento em mais 8,4 trilhões de dólares.


Com o retorno de Trump à Casa Branca em 2025, o montante somou outros 3,8 trilhões, consolidando um acúmulo de 11,6 trilhões entre os dois períodos do mandatário republicano.


Esse aumento contínuo ocorre apesar da implementação de medidas de corte de pessoal do setor público promovidas pela administração atual. Paralelamente, a aprovação da "One Beautiful Bill Act" — um pacote legislativo de impostos e gastos do governo federal — consolidou de forma permanente a redução do imposto corporativo de 35% para 21%, uma medida iniciada em 2017.


Para compensar esse esquema de benefícios empresariais, o teto da dívida foi elevado em cerca de 5 trilhões de dólares e aplicou-se um corte de 12% nos gastos com o Medicaid, o programa de assistência médica para as faixas de menor renda.


Credores e desequilíbrio orçamentário

Do total da dívida bruta federal, 80% (32 trilhões de dólares) correspondem à dívida pública contraída com investidores nacionais e internacionais. No âmbito interno, destacam-se como credores o Federal Reserve, com 4,528 trilhões de dólares, os fundos de investimento, com 5,195 trilhões, e os bancos comerciais juntamente com instituições de depósito, que acumulam 2,083 trilhões de dólares.


O componente externo representa 32% do total do endividamento público bruto, um aumento substancial em relação aos 5% registrados em 1970.


Essa estrutura implica que uma parcela crescente dos gastos públicos dos EUA sai do país em direção a detentores estrangeiros para o pagamento de rendimentos, com o Japão (1,203 trilhão de dólares), o Reino Unido (889 bilhões) e a China (683 bilhões) liderando a lista de credores internacionais.


O desequilíbrio entre as receitas do Estado e as despesas correntes acentua a armadilha fiscal. Durante um mês de arrecadação representativo, como julho, o Tesouro arrecadou 334 bilhões de dólares provenientes de imposto de renda, seguridade social e tributos corporativos, mas realizou despesas de 766 bilhões de dólares.


Os gastos anuais dos EUA giram em torno de 7 trilhões de dólares, dos quais cerca de 60% são destinados a aposentadorias, seguros de saúde e assistência a veteranos. No entanto, o imposto de renda de pessoas físicas responde por aproximadamente metade das receitas federais, enquanto a contribuição dos impostos sobre lucros corporativos chega a apenas 9%.


A armadilha das taxas de juros e o serviço da dívida

O aumento das taxas de juros promovido pelo Federal Reserve elevou drasticamente o custo de refinanciamento das obrigações soberanas.


O serviço líquido da dívida consome cerca de 1,1 trilhão de dólares anuais. Supera as dotações orçamentárias destinadas à defesa nacional e torna-se a segunda maior despesa federal, ficando atrás apenas dos pagamentos de previdência social.


Essa espiral limita a capacidade de resposta fiscal do governo e aumenta a dependência da emissão de novos títulos nos mercados financeiros, perpetuando o déficit estrutural do orçamento federal.


Riscos corporativos e a bolha da IA

O endividamento não se limita ao setor público. A dívida total combinada da economia norte-americana — que engloba órgãos públicos, famílias, bancos e o setor privado — atingiu 115,5 trilhões de dólares, valor equivalente a 360% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.


No âmbito empresarial, grandes corporações assumiram vultosos compromissos de crédito para financiar projetos de infraestrutura tecnológica ligados à inteligência artificial (IA). Iniciativas como a mobilização de mais de 500 bilhões de dólares de capital privado, liderada por empresas de Wall Street, expõem o mercado a um nível elevado de risco.


Se a comercialização e a monetização dessas tecnologias não gerarem os retornos esperados para sustentar a emissão massiva de títulos corporativos, o setor tecnológico enfrentará uma correção de avaliações que poderá desencadear uma crise de insolvência no mercado de crédito empresarial.


Impactos econômicos e consequências para o Sul Global

A acumulação excessiva de passivos nos EUA gera consequências diretas para a economia internacional, com especial repercussão nas nações do Sul Global.


Em primeiro lugar, a transferência massiva de recursos estatais para o pagamento de juros sufoca a capacidade de investimento público em infraestrutura básica e redes de proteção social.


Em segundo lugar, as elevadas taxas de juros mantidas nos Estados Unidos para atrair capitais encarecem o custo do crédito global, dificultando o financiamento de políticas públicas nas economias emergentes.


Por outro lado, a vulnerabilidade financeira permanente e o risco de depreciação da moeda norte-americana introduzem maior volatilidade nos preços internacionais das matérias-primas, o que afeta o valor das reservas dos países em desenvolvimento.


Finalmente, o peso dessa estrutura fiscal insustentável recai, em última análise, sobre a classe trabalhadora por meio de políticas de austeridade, cortes em serviços essenciais e uma carga tributária desproporcional que compromete o bem-estar das gerações futuras.


Da Telesur

 
 
 

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