Elon Musk compra Twitter e bolsonaristas comemoram


Ministro Fabio Faria e Elon Musk, homem mais rico do mundo e simpático a extremistas (Reprodução)

A rede social Twitter anunciou nesta segunda-feira (25) que o conjunto das ações da companhia foi adquirido pelo empresário Elon Musk, fundador da empresa de carros Tesla e pessoa mais rica do mundo. De perfil antidemocrático e simpático à ideologia de extrema direita, o receio é que plataforma vire terra sem lei com novo dono e afete campanhas contra fake news na eleição de outubro.

Embora a compra só deva ser concretizada no final do ano, as redes bolsonaristas já comemoram a mudança. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, foi ao Twitter para dar os parabéns a Musk. Misturando inglês e português, ele escreveu: "Congratulations, @elonmusk! Mais uma vez você está a dois passos na frente dos outros players e agora faz um gesto ao mundo e em defesa da liberdade!"

Mais cedo, antes do anúncio oficial, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), já reproduziam mensagem postada por Musk sobre o negócio.

Pela atual política do Twitter, há alertas permanentes sobre publicações enganosas em tuítes e a prática de apagar mensagens de autoridades que difundem desinformação.

Em comunicado sobre a transação, foi anunciado que o negócio foi fechado por US$ 44 bilhões. Após a conclusão da negociação, o Twitter se tornará uma companhia privada, ou seja, sem oferta pública na bolsa de valores e sem outros acionistas.

Segundo Brett Taylor, presidente do Conselho do Twitter e diretor executivo da empresa Salesforce, o colegiado realizou uma “análise profunda e abrangente da proposta de Musk com foco nos valores, certeza e financiamento”. Ele acrescentou que essa decisão é a melhor para os atuais acionistas da plataforma.

Repercussão

Em sua conta na rede social, Musk afirmou: “eu espero que até meus piores críticos permaneçam no Twitter, porque é isso o que significa liberdade de expressão”. Em mensagens anteriores na plataforma, ele indicou como prioridades combater contas automatizadas (bots) atuando para divulgação massiva (spams) e autenticar os usuários humanos, embora não tenha detalhado o que isso significa.

A Free Press, associação da sociedade civil que atua com liberdade de expressão nos Estados Unidos, classificou o negócio como um “grande retrocesso para o Twitter”. Segundo a diretora da entidade, Jéssica González, Musk não tem demonstrado a capacidade de responder às demandas e cobranças de autoridades e críticos.

Elon Musk é diretor executivo das empresas Tesla, que fabrica carros elétricos, e SpaceX, que desenvolve tecnologias de viagens aeroespaciais. Além disso, possui participação em negócios de nanotecnologia e energia solar.

Este ano, o valor de mercado da Tesla subiu para mais de US$ 1 trilhão, tornando-a mais valiosa do que a Ford e a General Motors juntas e Musk a pessoa mais rica do mundo.

Musk já foi processado e condenado nos Estados Unidos por ter publicado um tuíte de conteúdo falso em 2018 sobre negociações envolvendo a Tesla. Ele também foi criticado por espalhar desinformação sobre a pandemia da covid-19, além de desafiar autoridades sobre medidas de combate à circulação do novo coronavírus.

Musk nasceu na cidade de Pretória, na África do Sul. Ele é filho de Errol Musk, um engenheiro que controlava metade de uma mina de esmeraldas na Zâmbia.

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