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Lula critica embargo 'ilegal' dos EUA e cobra 'dívida' de ricos

Atualizado: 17 de set. de 2023


(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Durante seu discurso no G77+China que acontece neste sábado (16) na capital cubana, Havana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "ilegal" o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba, segundo o Globo.


"É de especial significado que, neste momento de grandes transformações geopolíticas, esta cúpula seja realizada aqui em Havana. Cuba tem sido defensora de uma governança global mais justa. E até hoje é vítima de um embargo econômico ilegal. O Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral", discursou o presidente. "Rechaçamos a inclusão de Cuba na lista de Estados patrocinadores do terrorismo", concluiu Lula sobre o isolamento imposto a Cuba por outras nações.


A oposição ao embargo econômico é histórica na diplomacia brasileira com o objetivo de reiterar que o país não concorda com sanções unilaterais, relembra a mídia.


No discurso, Lula também defendeu o pacto global digital da Organização das Nações Unidas (ONU) e voltou a cobrar os países ricos pela "dívida histórica" com o aquecimento global e requeriu o financiamento climático aos países em desenvolvimento.


"Temos que aproveitar o patrimônio genético da nossa biodiversidade com repartição justa dos benefícios resguardando a propriedade intelectual sobre nossos recursos e conhecimentos tradicionais. Vamos promover a industrialização sustentável, investir em energias renováveis na bioeconomia e na agricultura de baixo carbono. Faremos isso sem esquecer que não temos a mesma dívida histórica dos países ricos pelo aquecimento global", afirmou.


Lula também falou sobre a emergência climática e declarou que as mudanças impõem "novos imperativos", mas uma "transição justa traz oportunidades".


Em um outro momento do discurso, o presidente disse que o G77 foi "fundamental para expor as anomalias do comércio global" e para "defender a construção de uma Nova Ordem Econômica Internacional". No entanto, lamentou que "muitas das nossas demandas nunca foram atendidas".

Ele também criticou a governança mundial da ONU, do sistema Bretton Woods e da Organização Mundial do Comércio (OMC).


"A governança mundial segue assimétrica. A ONU, o sistema Bretton Woods e a OMC estão perdendo credibilidade. Não podemos nos dividir. Devemos forjar uma visão comum que leve em consideração as preocupações dos países de renda baixa e média e de outros grupos mais vulneráveis."


Neste sábado (16) em Havana, Lula também terá uma reunião bilateral com o presidente, Miguel Díaz-Canel. Esta é a primeira viagem oficial de um mandatário brasileiro ao país caribenho em nove anos. A última foi em 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff esteve na capital cubana.


Cuba passa por grave desabastecimento de itens básicos, como alimentos, remédios e energia. Porém, como deve US$ 538 milhões (R$ 2,6 bilhões) ao Brasil, está impedido de receber recursos de instituições como o BNDES e esse assunto estará na mesa, segundo a mídia.


Na sexta-feira (15), o governo cubano disse que não tem como pagar a dívida e propôs o uso de moedas alternativas ao dólar ou recebíveis de commodities cubanas, conforme noticiado.


De acordo com a Agência Brasil, de Havana, o presidente seguirá para Nova York, nos Estados Unidos, onde fará o primeiro discurso do debate geral de chefes de Estado da 78ª Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (19).


Será a oitava vez que o presidente Lula abrirá o debate geral dos chefes de Estado. Nos oito anos em que governou o Brasil, em seus dois primeiros mandatos, ele deixou de comparecer apenas em 2010.


O chefe do governo brasileiro também participará do lançamento de uma iniciativa global para promoção do trabalho decente, juntamente com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Estão previstas ainda outras reuniões bilaterais, multilaterais e ministeriais entre os países participantes e diversos organismos internacionais à margem da assembleia.


Lula viajará aos Estados Unidos acompanhado de ministros que deverão participar de diversas reuniões temáticas nas áreas de direitos humanos, saúde e desarmamento.

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