Embaixador dos EUA ameaça o Brasil por tecnologia 5G


Todd Chapman, embaixador dos EUA em Brasília (Reprodução)

Num momento em que o atual governo brasileiro se encontra alinhado de maneira praticamente incondicional com os Estados Unidos, o embaixador estadunidense em Brasília aproveita para deixar claro que o Brasil poderá sofrer "consequências", se não rechaçar os chineses da gigante de tecnologia Huawei como fornecedores para a rede 5G – a internet de altíssima velocidade – na banda larga.

Todd Chapman, o embaixador norte-americano que promoveu um churrasco em sua residência para receber o presidente brasileiro dois dias antes de Bolsonaro confirmar contaminação pelo novo coronavírus, sugere que empresas americanas poderiam deixar de investir no Brasil caso o país continue a aderir à tecnologia da chinesa Huawei.

Em entrevista ao jornal O Globo, o embaixador não consegue esconder o grande interesse dos Estados Unidos pela rede 5G. A China está à frente dos EUA nessa alta tecnologia.

Como nos tempos da "Guerra Fria", quando os EUA "persuadia" seus parceiros comerciais em nome de combater o comunismo no mundo, Todd Chapman deixa claro os objetivos estadunidenses.

"É um tema bastante importante para o mundo. É a próxima geração de telecomunicações que será a base da revolução tecnológica que vai beneficiar a todos. Nosso interesse é que essa tecnologia seja usada para promoção de atividades econômicas, avanço da sociedade e para o bem de nossos princípios, como a democracia. E que essa tecnologia não seja usada para reprimir a sociedade, como estamos vendo em vários regimes autoritários no mundo. A tecnologia deve liberar e não reprimir as pessoas. É importante que os fornecedores de um produto tão sensível tenham os mesmos princípios que você. Por isso, a posição dos EUA e nosso alerta para nossos amigos e aliados, como o Brasil, é saber com quem se está trabalhando. Nós já sabemos que Huawei e outras empresas da China, como a ZTE, têm a obrigação, por lei, de entregar toda a informação que passa por elas. Trata-se da segurança nacional dos Estados", disse ele.

Na visão do governo norte-americano, o Brasil não pode encarar essa questão apenas do ponto de vista comercial, considerando somente preços e aspectos técnicos. O objetivo, segundo o embaixador, é que o Brasil não permita, por motivo de "segurança nacional", que a Huawei forneça equipamentos para a rede 5G, cujo leilão está previsto para 2021.

"A seleção de fornecedores do 5G não é para nós uma questão comercial. Nós não temos uma empresa puramente americana que esteja competindo. Isso não é para ganhar US$ 1 bilhão. É um assunto de segurança nacional. Muitos países já decidiram excluir a Huawei por questão de segurança, como Austrália, Japão e Inglaterra, por exemplo. E esse número é crescente porque mais pessoas estão fazendo a mesma análise, vendo o comportamento da Huawei de roubar propriedade intelectual. A Inglaterra disse que vai tirar tudo da Huawei de seu sistema nos próximos anos. E isso vai custar um pouco de dinheiro, mas não tanto como as pessoas estão falando. Na Europa, para substituir todo o equipamento da Huawei em 5G serão US$ 3,5 bilhões. São US$ 7 por usuário", apontou.

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