Empreiteira campeã sob Bolsonaro tem preços quase o dobro

Atualizado: 1 de jul.


Não é à toa que ultimamente o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem abandonado o discurso da bandeira anticorrupção. Nesta quinta-feira (30), veio à tona mais um suposto novo caso de corrução que aponta para prejuízos milionários para os cofres públicos. Segundo a Folha de São Paulo, "a empreiteira Engefort, campeã de contratos com a estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) sob o governo Bolsonaro, ganhou concorrências de pavimentação em 2021 com valores quase o dobro maiores que os de licitações em estados vizinhos vencidas por outras empresas".

Os dados revelam disparidades dos preços na ordem de 87% no Tocantins, 71% na Bahia e 31% em Minas Gerais. ​​​​

Sob a gestão Bolsonaro, a Engefort tem vencido a maior parte das licitações para pavimentação e enriqueceu deixando de operar somente em áreas em que tradicionalmente atuava, próximas à sua sede em Imperatriz, no Maranhão. Até abril deste ano, a União havia reservado R$ 620 milhões em pagamentos à empreiteira.

A Folha analisou 99 pregões de pavimentação da Codevasf de 2021, e a Engefort, que costuma participar de licitações sozinha ou contra uma empresa de fachada registrada em nome do irmão de seus sócios, venceu 53 delas.

A Codevasf, estatal responsável por contratar a Engefort, foi entregue por Bolsonaro ao Centrão em troca de apoio político. De acordo com a reportagem, as diferenças de valores indicam que a estatal não buscou aproveitar preços de suas próprias concorrências em estados vizinhos ou não fez cotações locais para buscar pagar menos.

A Codevasf alega seguir uma decisão de 2019 do Tribunal de Contas da União (TCU) no sentido de que "o Sinapi deve ter primazia em relação às cotações efetuadas diretamente ao mercado". O Sinapi é um índice oficial de preços de insumos elaborado pela Caixa Econômica Federal.

Outras posições do TCU, no entanto, dizem que a prioridade para licitações é sempre a economia para os cofres públicos. O Sinapi, segundo o órgão, deve ser desconsiderado quando não condizente com a realidade local.

A Engefort nega qualquer favorecimento indevido e diz se pautar pela lei.

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