Enchente no Nepal e no Tibete mata 157 e deixa 579 desaparecidos (vídeos)
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Uma das catástrofes naturais mais devastadoras dos últimos anos atingiu, nesta quarta-feira (26), o norte do Nepal, após uma enxurrada repentina de grande magnitude ao longo do rio Bhote Koshi, na província de Bagmati (centro).
O desastre natural, concentrado principalmente no distrito fronteiriço de Rasuwa, deixa até o momento um saldo trágico de pelo menos 157 mortos e 579 desaparecidos. A massa de água destruiu, em seu caminho, povoados inteiros, áreas comerciais, redes viárias e projetos de infraestrutura estratégica.
A origem da cheia deve-se a um evento sísmico na região de fronteira com o Tibete. Segundo relatos preliminares, um tremor de magnitude 4,4, registrado a dez quilômetros de profundidade, provocou um enorme deslizamento de terra que bloqueou temporariamente o curso do rio em território chinês.
O colapso posterior dessa barragem natural liberou violentamente milhares de metros cúbicos de água e lama, atingindo com extrema força comunidades como Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, e interrompendo o tráfego em uma das principais rotas terrestres de integração comercial entre o Nepal e a China.
Destruição de infraestrutura e colapso de serviços
A magnitude do impacto causou danos severos ao sistema produtivo e de transporte. Relatórios da Direção de Estradas confirmaram a queda de 27 pontes, incluindo 22 estruturas de concreto e cinco do tipo Bailey.
A força da correnteza atingiu diretamente as instalações do projeto hidrelétrico Langtang Khola, obra que estava pronta para iniciar a fase de testes. O incidente causou sérios danos e deixou cerca de 60 trabalhadores presos e incomunicáveis dentro dos túneis do complexo energético.
O impacto na atividade econômica estendeu-se aos setores financeiro e de serviços. A Associação de Banqueiros do Nepal relatou a destruição total de nove agências na zona do desastre. Perdeu-se o contato com 26 funcionários das instituições.
Diante do nível de destruição, o governo declarou estado de desastre por um período de três meses no distrito de Rasuwa, a fim de coordenar a intervenção estatal de emergência.
Mobilização para busca de sobreviventes
O presidente do Nepal, Ram Chandra Paudel, dirigiu uma mensagem urgente às forças de segurança, agências governamentais, organizações sociais e à população, conclamando o empenho de todos os recursos materiais e humanos disponíveis no resgate das vítimas.
O Conselho de Turismo do Nepal e a Polícia Turística iniciaram operações especiais para verificar o paradeiro de 384 viajantes dados como desaparecidos — um grupo composto por 93 cidadãos nepaleses e 291 estrangeiros provenientes de países como Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Malásia, África do Sul, Austrália, Espanha e Países Baixos.
As equipes de socorro e unidades do Exército avançam com dificuldade em um terreno altamente instável e com comunicações precárias. A prioridade é avaliar as necessidades das comunidades isoladas e remover escombros nos pontos críticos afetados pela enxurrada de lama.
Fluxo de lama na China deixa três mortos e 265 desaparecidos
Paralelamente, um fluxo de lama repentino e devastador atingiu as imediações da passagem de fronteira de Gyirong, na divisa entre a China e o Nepal. A tragédia deixou um saldo preliminar de três mortos e 265 desaparecidos. Equipes de resgate foram mobilizadas em caráter de emergência para a área após a confirmação da tragédia pela Televisão Central da China.
A enxurrada de lama e detritos rochosos atingiu com força a zona de fronteira nas primeiras horas desta quarta-feira, surpreendendo trabalhadores e moradores locais. As equipes de emergência da região autônoma intensificaram as buscas e a remoção de escombros na tentativa de localizar sobreviventes, enfrentando condições geográficas complexas e terreno instável.
O fenômeno natural afetou um ponto estratégico para a integração e o transporte terrestre entre a China e os países da região do Himalaia. Agências estatais de segurança e gestão de desastres monitoram continuamente a área atingida para avaliar os danos às vias de comunicação e à infraestrutura civil.
A magnitude do fluxo de lama evidencia a extrema vulnerabilidade das áreas montanhosas a fenômenos geológicos extremos. As autoridades locais acionaram protocolos de resposta imediata para garantir assistência às famílias afetadas e acelerar as buscas pelas mais de duzentas pessoas cujo paradeiro ainda é desconhecido.
Com a Telesur











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