Enoturismo se destaca como opção de lazer na pandemia

Com a vacinação contra a covid-19 avançando, os brasileiros voltam a planejar viagens de férias, preferindo os destinos nacionais que oferecem contato com a natureza e longe de aglomerações. Nesse contexto, o enoturismo — que já vinha conquistando adeptos em todo o Brasil, mas sofreu com os impactos da pandemia — volta a ganhar força como opção de lazer. Bastante comum na Europa, essa modalidade de turismo gastronômico tem o vinho como 'personagem' principal.


Por meio de visitas guiadas a vinícolas, os viajantes conhecem os vinhedos, os diferentes tipos de uvas, os modos de produção e, é claro, fazem degustação das variações da bebida em harmonização com a culinária local.


“O enoturismo se destaca como opção de viagem segura, sendo uma excelente alternativa aos viajantes, especialmente aos que gostam e se interessam por vinhos, possibilitando um contato mais próximo e aprofundado nos vinhedos e vinícolas pelo país”, destaca Eric Ferreira, fundador da Del Vino Wine Club, uma 'escola de vinhos' em São Paulo que oferece cursos de iniciação aos que querem conhecer aromas, sabores e características dos principais tipos produzidos no país e no mundo.


No Brasil, a Serra Gaúcha (RS) tem hoje um dos maiores complexos enoturísticos do país, conhecido por Vale dos Vinhedos. Os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo possuem excelente infraestrutura turística, paisagens belíssimas e produção de vinhos de qualidade reconhecida.


Para quem pretende conhecer melhor a região e aprofundar a experiência, há várias opções de hospedagem, algumas localizadas nas próprias vinícolas. Há também atividades diferenciadas para quem quer relaxar, como o Spa do Vinho, no Hotel & Spa do Vinho - Autograph Collection, da rede Marriott, em Bento Gonçalves. O spa oferece todos os serviços de praxe, com terapias individuais, e ainda 'programas vinoterápicos'. Não é preciso se hospedar para utilizar os serviços de 'spa day'. O hotel possui ainda uma adega com 600 rótulos nacionais e estrangeiros, que podem ser degustados de frente para a paisagem das vinícolas.

Experiência "Uma História para degustar", na Vinícola Garibaldi / Foto: Augusto Tomasi, Divulgação

Recuperação do setor


Os vinicultores da Serra Gaúcha, antes preocupados com as incertezas geradas pela pandemia, agora comemoram a volta gradativa do enoturismo à região, o que representa uma fonte de renda a mais para o setor, além do mercado da venda de vinhos. E começam a se preparar para receber cada vez mais turistas, à medida que a vacinação for aumentando.


Segundo os produtores da Cooperativa Garibaldi, uma das vinícolas mais tradicionais da serra, com um complexo enoturístico dos mais procurados, os números em 2021 já se mostram tão bons quanto no período pré-pandêmico. Principalmente em receita. Isso porque, apesar do volume menor de visitantes, os turistas de agora estão gastando mais.


No primeiro semestre do ano, os 14 mil turistas que visitaram o lugar gastaram R$ 98 de ticket médio, valor 201,5% maior do que os 58 mil visitantes despenderam no mesmo período de 2019. Em relação à igual intervalo de 2020, o valor é 145% superior.


Isso coloca o setor de enoturismo da vinícola em rota de recuperação, segundo o responsável pelo setor, Maiquel Vignatti, já que o primeiro semestre responde por cerca de 40% do fluxo e 38% do faturamento do complexo. Para ele, o patamar elevado do ticket médio se manterá até o final do ano, garantindo promissores resultados.


"Devemos ter o mesmo faturamento de 2019, o que representaria um crescimento superior a 50% em relação a 2020", projeta Vignatti sobre as cifras que devem ultrapassar os R$ 4,5 milhões.

Degustação à cegas / Foto: Augusto Tomasi, Divulgação

Embora o fluxo turístico deste ano deva ter uma redução de 65% em relação a 2019, a projeção é crescer 150% no comparativo com 2020, desconsiderando os meses de janeiro e fevereiro. Esses dois meses, por exemplo, ajudaram a vinícola a atingir 30 mil visitantes no primeiro semestre de 2020, pouco mais do que o dobro do contabilizado no mesmo intervalo de tempo deste ano (14 mil) - em 2019, esse número foi de 58 mil.


Ainda assim, de acordo com os prognósticos da vinícola, até dezembro devem passar pela casa um total de 52 mil visitantes. Eles encontrarão atrações iguais às de 2019, porém dotadas de melhorias. É o caso de Uma História para Degustar. Nessa experiência, realizada em meio às pipas de madeira da cantina histórica, o visitante conta com uma seleção de rótulos mais ampla em espumantes e leva para casa uma taça personalizada da marca - ao custo total de R$ 15.

Cave Acordes: degustação em pipa de madeira de 100 mil litros, na Vinícola Garibaldi / Foto: Daniela Radavelli, Divulgação

É neste embalo de retomada que a Cooperativa Vinícola Garibaldi já pensa em 2022, quando, ao lado do incremento no faturamento, espera também registrar crescimento no fluxo de visitantes. Razões para acreditar nisso não faltam. E por isso mesmo, a vinícola se prepara para requalificar todo o complexo enoturístico e está investindo em novas experiências para tornar ainda mais prazerosa a visitação.


"Teremos um cenário de imunização contra a covid completo, com o público mantendo o interesse pelo turismo interno, aumento do potencial de compra, busca por experiências marcantes e novos estilos de vinho", acredita Vignatti.


Além da Serra Gaúcha


Em outros polos produtores de vinho do país, a expectativa também é de retomada do enoturismo. Na cidade de São Roque (SP), que abriga mais de 30 vinícolas ao longo da tradicional Estrada do Vinho, produtoras como a Vinícola Góes e a Bella Aurora, algumas das mais procuradas, se preparam para voltar a receber um volume maior de visitantes.

Turistas participam da colheita e da pisa da uva em São Roque (SP) / Foto: Reprodução

O cenário também é positivo para os vinicultores do Vale do São Francisco, em Pernambuco. Vinícolas como a Terranova, do grupo Miolo, voltaram a investir nas visitas guiadas e na degustação de vinhos e espumantes para atender a demanda crescente. Eles apostam nas férias e festas de fim do ano para reaquecer o setor.




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