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Entidades repudiam ataques de neto de ditador contra mulheres jornalistas

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

(Reprodução)
(Reprodução)

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da Fenaj repudiaram as declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo contra profissionais da imprensa. As entidades cobraram providências das autoridades e classificaram as falas como "misóginas, criminosas e covardes", além de ofensivas à liberdade de imprensa.


Na terça-feira (28), o aliado da família Bolsonaro chamou jornalistas da Globonews de “putas” e “prostitutas do Lula”. E ainda afirmou que Míriam Leitão “não merecia ser estuprada”, retomando uma frase de Jair Bolsonaro que levou à condenação do ex-presidente por danos morais contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).


Neto do último presidente da ditadura no Brasil, general João Baptista Figueiredo, o influenciador fugiu para os Estados Unidos após se tornar alvo de investigações relacionadas aos atos golpistas que sucederam as eleições de 2022. Ele vive atualmente em Miami, de onde faz suas transmissões com ataques contra a democracia brasileira e em defesa do clã dos Bolsonaros.


Veja a seguir a nota das entidades dos jornalistas divulgada nessa quarta-feira (29).


"O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), a Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e a Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ vêm a público manifestar o mais absoluto e veemente repúdio às declarações misóginas, criminosas e covardes proferidas pelo influenciador de extrema direita Paulo Figueiredo contra mulheres profissionais da imprensa.


Na noite dessa terça-feira, 28 de julho de 2026, Figueiredo — neto do último ditador do regime cívico-militar, general João Figueiredo, e aliado da família Bolsonaro — proferiu ataques inaceitáveis em vídeo que circula nas redes sociais. O influenciador chamou as jornalistas da GloboNews, em bloco, de “putas” e “prostitutas do Lula”. Em seguida, dirigiu-se nominalmente à jornalista Miriam Leitão para repetir a mais vil das lógicas: “Miriam Leitão, eu jamais ia estuprar você, porque você não merece”.


A gravidade dessa fala não pode ser minimizada. A frase reproduz quase literalmente a agressão perpetrada por Jair Bolsonaro contra a deputada federal Maria do Rosário, em 2014, pela qual o ex-presidente foi condenado. Ao manter a condenação, o Superior Tribunal de Justiça concluiu que dizer que uma mulher “não merece ser estuprada” apresenta o estupro como se fosse um prêmio ou benefício — uma ofensa vil, como classificou a ministra Nancy Andrighi, que menospreza de forma atroz a dignidade das mulheres.


O alvo de Figueiredo, contudo, não é uma figura pública qualquer. Miriam Leitão foi presa, espancada, obrigada a permanecer nua diante de agentes da repressão e deixada em uma sala escura com uma cobra, em 1972, quando tinha 19 anos e estava grávida de seu primeiro filho. É uma sobrevivente da ditadura militar — o mesmo regime que teve à frente o avô de Paulo Figueiredo. Atacar Miriam Leitão com essa referência criminosa ao estupro, portanto, não é apenas misoginia; é um acinte à memória das vítimas da tortura e à história de luta pela democracia no Brasil.


Este episódio, infelizmente, não é isolado. Paulo Figueiredo acumula uma rotina de ataques contra jornalistas que publicam informações desfavoráveis à família Bolsonaro. Em junho, já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, que reagiu ao vivo classificando sua conduta como “nojenta”. A deputada federal Erika Hilton, diante dessas condutas reiteradas, já acionou a Procuradoria-Geral da República contra o influenciador por declarações misóginas. Além disso, Figueiredo acumula dívidas tributárias enquanto compra mansões no exterior e responde a denúncias por coação no curso do processo ao lado de Eduardo Bolsonaro.


O SJPDF, A FENAJ e a Comissão de Mulheres Jornalistas da FENAJ exigem que as autoridades competentes tomem providências imediatas e rigorosas. A banalização da violência sexual e a associação depreciativa das profissionais da imprensa com a atividade sexual configuram crimes de difamação, injúria e incitação ao ódio, além de violarem frontalmente os princípios da dignidade da pessoa humana e da liberdade de imprensa.


Não aceitaremos que o exercício do jornalismo seja transformado em alvo de ameaças e ultrajes. Não toleraremos que a memória das vítimas da ditadura seja maculada por aqueles que defendem o autoritarismo. As entidades manifestam total solidariedade à Miriam Leitão, à Andréia Sadi e a todas as profissionais da GloboNews e a todas as mulheres jornalistas agredidas por essas falas. Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a liberdade de expressão, com o direito da sociedade à informação e contra a misoginia e outras formas de opressão estruturantes de nossa sociedade. Seguiremos vigilantes para que os agressores sejam responsabilizados na esfera cível e criminal.


Brasília, 29 de julho de 2026.


Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)

Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ)

Comissão Nacional de Mulheres Jornalistas da FENAJ"

 
 
 

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