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Escândalo na ultradireita argentina: 'favores sexuais' e compra de cargos


O candidato presidencial Javier Milei (à esq.) e o deputado Eduardo Bolsonaro (ao centro): "arminha" (Reprodução)

A aliança de extrema-direita argentina La Libertad Avanza está em crise após se envolver em um escândalo depois que um líder da coalizão denunciou que as candidaturas e espaços de poder são distribuídos por meio de "guita" (dinheiro) ou "favores sexuais".


Mila Zurbriggen, presidente do grupo de jovens Geração Libertária, que fazia parte da coalizão conservadora, gerou forte polêmica esta semana durante uma entrevista de rádio na qual garantiu que grande parte da militância está decepcionada com o líder e candidato presidencial Javier Milei - o "Bolsonaro argentino", aliado da família do ex-presidente brasileiro e utiliza mesma base de discurso de ódio contra a esquerda e paranoia anticomunista.


“Há uma grande desilusão, não só da minha parte mas de toda uma juventude que se depara com uma realidade muito diferente daquela que lhes foi contada”, disse a jovem que faz parte da onda de seguidores que Milei conseguiu atrair com seus discursos inflamados contra o Estado e a "casta política", que costuma acusar de ser "privilegiada" e "corrupta".

Zurbriggen já havia denunciado em suas redes sociais as anomalias com que opera a coalizão. "Não podemos deixar que nenhuma pessoa com ares de messianismo continue a brincar com a nossa ilusão, uma pessoa que não nos ouve e que traiu o seu povo mais leal e que mais trabalhou por dinheiro e gente suja", disse referindo-se a Milei.


La Libertad Avanza foi fundada em 2021 com vistas às eleições legislativas que aconteceram naquele ano e nas quais Milei concorreu a deputado nacional, cargo que obteve junto com sua companheira de chapa, Victoria Villarroel, líder conhecida por negar os crimes contra a humanidade cometidos durante a última ditadura militar e por equiparar os repressores às vítimas.


Nessa eleição, Milei, um economista de 52 anos sem grande carreira política, consolidou-se como a nova "estrela" midiática e eleitoral da extrema-direita argentina, graças ao seu histrionismo e às suas permanentes críticas e insultos aos políticos tradicionais .

Um dos fatores que mais chamou a atenção foi que grande parte da militância que apoiou Milei era formada por jovens na faixa dos vinte anos. Alguns deles são os que agora se desencantam com o líder, liderando um êxodo.


Polêmica

Desde que assumiu o cargo de deputado, Milei reforçou seu papel de opositor ao governo do presidente Alberto Fernández em particular e ao peronismo em geral.


Ele também ratificou sua oposição à legalização do aborto, que vigora neste país desde o final de 2020; e reiterou seu apoio a políticas de "mão forte" para lidar com a insegurança.


A polêmica foi uma constante em sua breve carreira pública, seja por suas propostas de legalização da venda de órgãos; privatizar as obras de educação, saúde e infraestrutura e permitir o porte de armas; por promover uma empresa fraudulenta de criptomoedas; ou por seu acentuado absenteísmo nas sessões legislativas.

Com vista ao reforço da sua figura, Milei começou a estreitar laços com a extrema-direita a nível internacional. Em outubro do ano passado, ele participou de um evento do Vox em Madri, onde insultou "os canhotos" e se manifestou contra a "ideologia de gênero".


Em meio a uma popularidade oscilante que sobe e desce de acordo com o atual escândalo em que está envolvido, Milei ratificou sua intenção de concorrer à presidência em outubro próximo.


Algumas pesquisas o colocam em terceiro lugar, atrás da coalizão de direita Juntos pela Mudança (da qual participa o ex-presidente Mauricio Macri) e da governista Frente de Todos.


Mas sua pré-campanha agora foi afetada pelas reclamações de Zurbriggen.

Desorganização

"No Libertad Avanza não há organização, não há instâncias de debate interno sobre quais projetos realizar", disse Zurbriggen em uma entrevista na qual suas acusações foram aumentando de tom.


"Tudo é decidido por ele (Milei), sua irmã e um grupo de líderes muito fechado, sentimos que ele nos usou, simplesmente colocamos cartazes. Se esse fenômeno existe, é em grande parte graças aos jovens", alertou o líder, referindo-se ao boom que os chamados "libertários" tiveram na Argentina nos últimos anos.


Zurbriggen alertou que as mulheres da coalizão que se vestem "pouco vestidas" são colocadas em altos cargos políticos "ou são levadas à mídia, sem priorizar a adequação".


Em síntese, disse, as candidaturas e os espaços de poder são definidos pela "guita" (dinheiro) ou pelo sexo, apesar de se esperar mais seriedade num partido político.


"Vou ser muito claro: é difícil para mim falar sobre isso, mas algo que acontece muito na casta (política que Milei costuma criticar) são os favores sexuais. Apesar de não compartilhar nada com o feminismo, não me parece certo. Isso me incomodou muito porque nosso trabalho é sério mesmo sendo jovem”, disse.


Respostas

A Geração Libertária, da qual participam Zurbriggen e um grupo de "libertários", oficializou sua saída da aliança de extrema-direita.


"Tomamos a decisão como jovens de ser um grupo independente e apartidário (...) diante da falta de participação política e decisiva que temos na frente liderada por Javier Milei, continuaremos com o tarefa iniciada antes do aparecimento da frente para partilhar e fazer proliferar na sociedade as ideias de liberdade", afirmou num comunicado, no qual assume que terá represálias.


Em meio a esse novo escândalo, Milei negou as acusações e garantiu que Zurbriggen é um líder conflituoso, interessado apenas em ocupar cargos.


"É o jeito dela de agir, por isso não dura em espaço nenhum. Tem gente que, quando não recebe cobrança nem dinheiro, naquela raiva, fala um monte de coisa. Se ela tem tudo isso, deixa ela vá e tente na Justiça”, disse.


A coalizão, por sua vez, emitiu um comunicado no qual denuncia a ex-líder, embora sem mencioná-la.


"Em relação às recentes denúncias feitas por alguns militantes ávidos por cargos e benefícios econômicos, La Libertad Avanza quer deixar claro que agradecemos sua retirada do espaço, pois não queremos ter nada a ver com quem acredita que esse movimento é um órgão de colocação do Estado", alertou.


Mas a polêmica está longe de terminar, já que na quarta-feira Zurbriggen denunciou em suas redes e em entrevistas na televisão que ela e os que deixaram a aliança receberam ameaças de morte.


Fonte: Agência RT

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