Escândalo no MEC leva ministro a pedir demissão


(Foto: Alan Santos/PR)

Encurralado pelo escândalo de suposta corrupção em favorecimento de pastores com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e sob pressão do Centrão para renunciar ao cargo, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu demissão na tarde desta segunda-feira (28). Em carta entregue ao presidente Jair Bolsonaro (PL), Ribeiro nega prática de irregularidades, diz que tomou a iniciativa "com o coração partido, de um inocente que quer mostrar a todo custo a verdade das coisas" e que não se despede do ministério.

"Direi um até breve, pois depois de demonstrada minha inocência estarei de volta, para ajudar meu país e o Presidente Bolsonaro na sua difícil mas vitoriosa caminhada", escreveu.

Escolhido por Bolsonaro por ser pastor, Ribeiro é o quarto ministro do MEC a cair durante o atual governo. Já passaram pelo posto Ricardo Velez, Abraham Weintraub e Carlos Decotelli (o do currículo falso, que nem chegou a tomar posse).

Na manhã desta segunda-feira circulou a informação de que, após pressão do centrão e reunião com a cúpula do PL no domingo (27), Bolsonaro teria aceitado que o melhor caminho para evitar ainda mais sangramento do governo no ano eleitoral era optar pela demissão do ministro, mesmo que isto representasse uma volta atrás após Bolsonaro dizer na última quinta-feira (24) que colocaria sua "cara no fogo" por ele.

Bolsonaro teria sido convencido pelo líder do PL, Valdemar Costa Neto, de que não valeria a pena deixar o governo sangrando, uma vez que a própria bancada evangélica lavou as mãos em relação ao ministro e seus pastores acusados de montar um balcão de negócios com verbas públicas do MEC destinadas a programas e projetos na área de educação nos governos estaduais e prefeituras.

Desde o começo do escândalo na semana passada, os aliados do presidente - principalmente os líderes do centrão – não viam com bons olhos a permanência do ministro, em meio ao escândalo com fortes indícios de corrupção, visto que poderia abalar a candidatura de Bolsonaro à reeleição em outubro.

A divulgação de um áudio de Milton Ribeiro declarando que o governo federal prioriza a liberação de verbas a prefeituras através dos pastores evangélicos Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido de Bolsonaro, provocou na semana passada a abertura de uma série de investigações acerca do suposto esquema de corrupção.

A exoneração de Milton Ribeiro foi publicada do Diário Oficial da União (DOU) ainda nesta segunda-feira (28), pouco depois da divulgação da carta.

O nome que aparece como cotado para o cargo é o de Victor Godoy Veiga, auditor de careira da Controladoria-Geral da União (CGU) e secretário-executivo do MEC, que vinha sendo o número dois da pasta e atuava como braço direito de Ribeiro.

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