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Escutas: Planalto teria oferecido cargos pela morte de miliciano


Miliciano Adriano Nóbrega, ex-capitão do Bope, morto em fevereiro de 2020 na Bahia (Reprodução)

Áudios divulgados nesta quarta-feira (6) pela Folha de S. Paulo revelam uma conexão entre o Palácio do Planalto e milícia. Escutas interceptadas pela Polícia Civil do Rio há dois anos mostram que o Planalto teria oferecido cargos em comissão em troca da morte do ex-capitão do Bope da Polícia Militar do Rio de Janeiro Adriano Nóbrega, então chefe de uma das milícias mais sanguinárias do estado. O ex-policial foi morto em 9 de fevereiro de 2020.

Os áudios mostram uma das irmãs do ex-policial conversando com uma tia dois dias após a morte de Nóbrega, num suposto confronto com a PM da Bahia, estado no qual o miliciano estava foragido da Justiça desde 2019. Ele foi encontrado escondido no sítio do vereador Gilsinho da Dedé, do PSL, então partido do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a publicação, Daniela Magalhães da Nóbrega diz à parente que Adriano soube de uma reunião envolvendo o nome dele no Palácio do Planalto e do desejo — que teria sido expresso nesse encontro — de que ele se tornasse um "arquivo morto".

"Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Entendeu, tia? Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo", declarou ela, em gravação interceptada pela polícia e autorizada pela Justiça.

Acusado de comandar o Escritório do Crime, grupo de milicianos e assassinos de aluguel sediado em Rio das Pedras, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, Adriano era suspeito de envolvimento no esquema conhecido como "rachadinhas" dentro do antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (ALERJ).

A ex-mulher e a mãe de Adriano eram lotadas no gabinete de Flávio, o filho 01 do presidente Jair Bolsonaro. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) acusou ambas de serem funcionárias-fantasmas do gabinete de Flávio. Segundo a promotoria, elas repassavam a maior parte do salário recebido pelos cofres públicos a um esquema de corrupção cujo beneficiário era o filho do presidente.

Além disso, o próprio Jair Bolsonaro, então deputado federal, defendeu o miliciano no plenário da Câmara dos Deputados em 2005.

A gravação revelada nesta quarta-feira (6) foi colhida durante a Operação Gárgula, do Ministério Público do Rio de Janeiro, cujo objetivo foi monitorar os passos de Adriano depois que ele se tornou foragido, além de mapear o esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa que ele comandava.

A polícia grampeou parentes, amigos e comparsas do ex-PM por mais de um ano.

"Ele falou para mim que não ia se entregar porque iam matar ele lá dentro [do presídio]. Iam matar ele lá dentro. Ele já estava pensando em se entregar. Quando pegaram ele, tia, ele desistiu da vida", disse Daniela, dois dias depois da morte do irmão, à sua tia.

PSOL cobra esclarecimento e faz cronologia

A oposição agora cobra investigação sobre o caso. A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou requerimento de informação para o Planalto pedindo esclarecimentos sobre a denúncia. Em sua página oficial na Twitter, em uma sequência de tuites, o partido ainda montou uma cronologia do histórico de Adriano da Nóbrega e sua relação com a família Bolsonaro.



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