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Especialista diz que BRICS é mais que um "bloco alternativo"

"A importância do BRICS está crescendo, e qualquer político tem de levar em conta essa realidade", afirmou o analista internacional argentino Jorge Castro neste sábado (19/8), em entrevista ao Sputnik. Castro é colunista do Clarim, presidente do Instituto de Planeamiento Estratégico (IPE), e autor dos livros 'El Desarrollismo del Siglo XXI' e 'China y Argentina en el Siglo XXI'. Segundo ele, a cúpula do BRICS, que acontecerá de terça (22/8) a quinta-feira (24/8) na África do Sul, será "de enorme importância" para a Argentina, devido à oportunidade de ingressar no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do bloco e à crescente relevância da parceria entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul na economia mundial e na geopolítica.

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Castro ressaltou que o BRICS já é mais do que um "bloco alternativo", pois inclui vários dos países que mais contribuíram para o crescimento da economia mundial nos últimos anos.


"Para o mundo, e em primeiro lugar para os países emergentes, o que acontece com o BRICS é muito mais importante e relevante do que o que acontece com o G7", apontou.


O advogado e jornalista sublinhou o potencial econômico do bloco por meio do banco do BRICS. Também destacou a "capacidade de empréstimo realmente extraordinária" do banco, que já conta com fundos de mais de US$ 100 bilhões (R$ 497,03 bilhões), e do qual a Argentina poderia se beneficiar com uma possível adesão já na cúpula de agosto.


Na opinião de Jorge Castro, o crescimento do banco do BRICS "já reflete a tendência fundamental do sistema mundial: há uma mudança na economia mundial em direção aos países emergentes e, principalmente, aos asiáticos". Embora tenha considerado que o banco do BRICS "não é uma alternativa ao FMI ou às organizações internacionais em geral", ele defende a organização como "uma expressão da mudança estrutural pela qual o sistema mundial passou", na qual há "uma transferência do processo de acumulação dos países avançados, em primeiro lugar dos EUA, para os países emergentes e, em primeiro lugar, os países asiáticos, fundamentalmente a China".


Castro mostrou-se cético sobre as intenções do candidato presidencial argentino Javier Milei. Ele afirmou que, se eleito, Milei congelaria as relações com a China e o Brasil por motivos ideológicos, apesar de esses serem os dois principais parceiros comerciais da Argentina.


"Esses são dados estruturais sobre a inserção da Argentina no mundo e, portanto, quem quer que assuma o poder político na Argentina, ou em qualquer outro país latino-americano, tem que se adaptar às realidades do sistema mundial, que dão à República Popular da China um papel absolutamente decisivo para todos os países da região, ou seja, da América do Sul", explicou.


Castro insistiu que, no momento, "é impossível mudar essa orientação do mundo", e é por isso que "essa integração que ocorreu no Sul Global, essas relações econômicas já são imutáveis".


"A regra fundamental que deve ser tida em conta é que o mundo não pode ser dominado, não há como dominar o mundo. O que temos [de fazer] é nos adaptar às tendências fundamentais do mundo em cada época histórica. Neste momento histórico, o eixo do sistema mundial é o relacionamento e a luta entre duas superpotências. Uma são os EUA, a outra é a China. A Argentina tem que viver com sua época, não há outra maneira", resumiu.


Fonte: Sputnik Brasil


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