Especialistas veem recorde de covid com Copa América


(Reprodução)

Se nenhuma medida rígida de controle de mobilidade for adotada para a Copa América, o Brasil poderá ultrapassar 115 mil casos de infecção por covid-19 por dia no mês de junho, um recorde na pandemia. O alerta é dado por especialistas de análise de dados dos serviços de saúde pública ouvidos pelo portal G1.

A autorização do governo Jair Bolsonaro para realização do torneio entre 13 de junho e 10 de julho, após as desistências de Colômbia e Argentina, ocorre num momento em que o Brasil registra quase o dobro da média móvel de mortalidade em relação a 1º de junho do ano passado, quando a Conmebol adiou a competição justamente por causa da pandemia. Na época o Brasil contava uma média diária de 1.036 óbitos, enquanto hoje a média está em 1.849 mortes.

"Tudo indica que poderemos chegar a 115 mil casos [de Covid] por dia, algo inédito no Brasil até o momento", alerta João Abreu, diretor-executivo da ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos de análise de dados dos serviços de saúde pública.

"Se naquela época [junho de 2020] não era aceitável ter um evento como a Copa América, por que agora, com média de duas mil mortes por dia, é?", questiona.

O monitoramento também é usado pela Rede Análise Covid-19, que igualmente alerta para uma explosão de casos diários no Brasil em junho caso nenhuma medida rígida seja tomada, como o fechamento das atividades não essenciais.

"A previsão de 115 mil novos casos em um dia durante junho considerou apenas o aumento da mobilidade. Ela não levou em conta eventos superespalhadores como a Copa América nem o surgimento de novas variantes", afirma o coordenador da Rede Análise Covid-19, o cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, citado pelo G1.

Até o momento, o recorde de casos diários é de 97.586, ocorrido em 25 de março. Na quarta-feira (2), o Brasil se aproximou novamente dos 100 mil, ao registrar 92.115 infecções em 24h, o segundo maior desde o início da pandemia.

No fim de maio de 1919, o Brasil foi campeão da Sul-Americana, hoje conhecida como Copa América. A competição, que trouxe o primeiro grande título ao futebol brasileiro, estava programada para o ano anterior, mas o Brasil desistiu de sediá-la em razão da grave crise sanitária causada pela gripe espanhola, que afetou todo o mundo e matou milhões de pessoas.

Mais de um século depois, o Brasil está novamente no centro de uma discussão que envolve a competição esportiva e uma grave crise sanitária.

"É possível imaginar que as pessoas que provavelmente se reunirão para assistir aos jogos, que irão para bares comemorar serão as mais jovens, ou seja, as que ainda não foram vacinadas e estão suscetíveis", apontou o diretor-executivo do Impulsogov.

Jogadores da seleção: posição unânime

Casemiro, capitão da seleção brasileira, deixou claro após a vitória contra o Equador por 2 a 0 que os jogadores estão nada confortáveis com a realização da Copa América no Brasil, epicentro da covid-19 no mundo, mas que eles já têm uma posição unânime sobre a participação no torneio.

"Nosso posicionamento todo mundo sabe, mais claro impossível, Tite deixou claro nosso posicionamento e o que nós pensamos da Copa América. Existe respeito e uma hierarquia que temos que respeitar, e claro que queremos dar nossa posição", disse ele. em entrevista à TV Globo, após o jogo na noite de sexta-feira.

"Queremos falar. Não queremos desviar o foco, porque isso (Eliminatórias) para nós é a Copa do Mundo. Mas queremos falar, expressar a nossa opinião, se é certo ou não, cada um vai determinar, mas queremos expressar nossa opinião, sim", e continuou. "Nós iremos falar, o Tite explicou a situação, eu como capitão, como líder dos jogadores, rolou isso mesmo, nós nos posicionamos. Queremos falar, no momento oportuno vamos falar. Não sou eu, não são os jogadores da Europa, como rolou. Quando fala alguém, falam todos os jogadores, com o Tite, com a comissão técnica. Tem quer ser unânime, todos juntos", disse o capitão do Brasil.

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