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Espionagem ilegal da Abin teve rivais de Bolsonaro e STF como alvo


Jair Bolsonaro e Alexandre Ramalho, ex-chefe da Abin (Foto: Carolina Antunes/PR)

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (20), a Operação Última Milha, com o objetivo de investigar uma espionagem ilegal por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. A PF identificou que um sistema que monitora ilegalmente a localização de pessoas foi usado 1.800 vezes pela Abin, sem a devida autorização judicial, contra alvos relacionados a políticos, jornalistas, advogados e adversários do governo Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o site Metrópoles, alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram espionados ilegalmente. No total, foram identificados 33 mil acessos ao sistema de monitoramento.


As medidas judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Com base nos 27 mandados expedidos, agentes da PF realizaram buscas e apreensões e efetuaram duas prisões preventivas nesta sexta-feira. As ações aconteceram em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal..


Um dos alvos de busca, segundo o Globo, é Caio Santos Cruz, filho do general da reserva e ex-ministro de Bolsonaro Alberto Carlos Santos Cruz. Diretores da agência, que eram remanescentes da gestão passada, foram afastados.


Os servidores presos são Rodrigo Colli, profissional da área de Contrainteligência Cibernética do órgão, e o oficial de Inteligência Eduardo Arthur Izycki.


Durante a operação, a Polícia Federal encontrou US$ 171,8 mil em espécie na casa do secretário de planejamento de gestão da Abin, Paulo Maurício Fortunato. Ele era o 03 da agência e foi afastado pelo STF. A PF agora vai investigar a origem do dinheiro.

Os US$ 171,8 mil encontrados na casa do diretor 03 da Abin (Foto: Divulgação/PF)

“O sistema de geolocalização utilizado pela Abin é um software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira. A rede de telefonia teria sido invadida reiteradas vezes, com a utilização do serviço adquirido com recursos públicos”, informou em nota a PF.


“Além do uso indevido do sistema, apura-se a atuação de dois servidores da agência que, em razão da possibilidade de demissão em processo administrativo disciplinar, teriam utilizado o conhecimento sobre o uso indevido do sistema como meio de coerção indireta para evitar a demissão”, acrescentou.


O uso indevido e ilegal do sistema de monitoramento teria ocorrido na gestão do delegado Alexandre Ramagem na chefia da Abin, no governo Bolsonaro.


Se condenados, os servidores responderão pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.


Espionagem e roteiro do golpe

A espionagem clandestina de cidadãos brasileiros pela Abin é mais uma peça dentro da investigação mais ampla sobre os atos antidemocráticos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro. Segundo o G1, o entendimento entre investigadores é que a atuação de Bolsonaro e aliados foi além de uma mera cogitação e atos preparatórios e efetivamente "tentou’" dar um golpe.


Compõe um quadro de efetiva tentativa de golpe uma série de eventos interligados, como bloqueios em rodovias, acampamentos de bolsonaristas em frente aos quartéis, financiamentos suspeitos, incidentes como a bomba encontrada nas imediações do aeroporto de Brasília e a tentativa de invasão da sede da PF em 12 de dezembro de 2022. O "monitoramento de autoridades" faz parte deste contexto.


“Esses elementos, embora aparentemente investigados de forma separada, estão todos ligados e aparecerão costurados ao final dos trabalhos de investigação - expectativa para o primeiro semestre de 2024 - quando a PF deverá apontar quem foram os 'mentores' da tentativa de golpe”, reporta o G1.


Reação no Supremo

Em conversas reservadas com a CNN, dois ministros do STF enfatizaram a importância de uma investigação completa que alcance os responsáveis pelo esquema de espionagem e resulte em punições rigorosas, incluindo a responsabilização dos mandantes por trás das ações. Dado o clima de intensos ataques que a Corte vinha sofrendo, ambos revelaram que havia suspeitas preexistentes no Supremo de que tais práticas pudessem ter ocorrido durante a gestão de Jair Bolsonaro.

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