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Estudantes revivem no Rio a "Passeata dos cem mil"

há 19 minutos
6 min de leitura
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Centenas de milhares de estudantes ocuparam as principais ruas do Centro do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 7, no maior ato estudantil em defesa da democracia no Brasil desde a "Passeata dos cem mil", em 1968, contra a ditadura militar, e as grandes manifestações pela "Anistia" (1978-1979) e pelas "Diretas Já" (1984).


Estudantes universitários e secundaristas de várias instituições de ensino fluminenses transformaram a Avenida Rio Branco em um mar de gente, da Candelária à Cinelândia, levantando bandeiras contra o fascismo e em defesa da soberania nacional, representadas pela candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), derrotado no primeiro turno das eleições presidenciais do último domingo, 4, por uma diferença de menos de 2% dos votos, pelo candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro.


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A manifestação no Centro do Rio foi o ápice de um movimento iniciado em Niterói pelos alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) menos de 24 horas depois da realização do primeiro turno das eleições e que já vem contagiando estudantes de todo o país. Na terça-feira, 5, os estudantes da UFF voltaram às ruas de Niterói, sendo seguidos por camaradas da Bahia, Pernambuco, Paraná e Amazonas. Nesta quarta-feira, além do grande ato no Rio, manifestações também foram realizadas em São Paulo, Alagoas, Amazonas, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Bahia e Paraná.


De quinta-feira, 8, até o dia 13, outros 19 atos estão programados, partindo de universidades de várias cidades do Brasil, segundo divulgação do presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Rogean Vinicius Santos Soares, um dos responsáveis pela divulgação da agenda (veja a lista adiante).


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Estopim em Niterói

O estopim do movimento foi o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da UFF, que começou a se mobilizar logo após o resultado do primeiro turno eleitoral e marcou, junto com outras entidades estudantis, uma manifestação para o dia seguinte, segunda-feira (5) à noite. Mais de mil estudantes saíram às ruas dos bairros do Ingá, onde fica a Faculdade de Direito, e Icaraí, na Zona Sul de Niterói, cidade que nunca teve um governo de direita desde a redemocratização do Brasil (vem sendo governada desde então principalmente pelos trabalhistas do PDT, alternando com governos patistas).


No dia seguinte, terça-feira, 6, alunos da UFF marcaram uma nova concentração, desta vez no Campus do Gragoatá, e novamente tomaram as ruas da cidade. Desta vez, em número ainda maior, de alguns milhares, seguiram em passeata até o Centro, onde realizaram um ato na Praça Arariboia, em frente à estação das barcas que fazem a ligação hidroviária de Niterói com o Rio.


Estudantes marcharam pels ruas de Niterói logo no dia seguinte ao primeiro turno das eleições / Redes sociais
Estudantes marcharam pels ruas de Niterói logo no dia seguinte ao primeiro turno das eleições / Redes sociais

"Flávio Bolsonaro na lata do lixo"

O ato desta quarta-feira foi iniciado no entorno da Igreja da Candelária, desde meio-dia começou a formar-se uma imensa concentração de estudantes de várias universidades e escolas secundaristas, que tomou conta dos primeiros quarteirões da Avenida Presidente Vargas e da Avenida Rio Branco. De lá os estudantes saíram em passeada em direção à Cinelândia. O adensamento era tão grande que, enquanto as primeiras alas da manifestação já se aproximavam do final da avenida, as últimas ainda permaneciam na Candelária, formando uma massa compacta de manifestantes ao longo de toda via.


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Palavras de ordem eram gritadas em coro em defesa da soberania nacional, contra o fascismo e em apoio ao presidente Lula. Do alto de um carro de som, oradores se revezavam, entre eles uma moça que anunciou, para delírio dos manifestantes, que os estudantes iriam "jogar Flávio Bolsonaro na lata do lixo".


Entre as principais bandeiras também estavam a defesa do ensino público gratuito, da autornomia e ampliação das universidades federais e dos mecanismos de financiamento do ensino superior criados por Lula, como o Fies. "Trabalhador, venha pra cá, estou na rua pro seu filho estudar" era uma das palavras de ordem. Outra pauta defendida pelos estudantes é a do fim da jornada de trabalho 6x1 proposto pelo presidente Lula e que está em processo de votação no Congresso Nacional.


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ameaça à democracia

Ao longo de todo o trajeto a manifestação recebia apoio de trabalhadores das lojas e do alto dos edifícios da Avenida Rio Branco, que acenavam, aplaudiam, faziam o "L" de Lula e entoavam as palavras de ordem junto com os estudantes. O ato também recebeu apoio de grupos como o dos "Jornalistas pela democracia".


Divulgação
Divulgação

Estudante de direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Paulo Victor de Almeida Coelho, disse que defende a eleição de Lula para que a juventude tenha um futuro melhor.

“Nós queremos mais investimentos, condções para que todos possam estudar e se formar em uma faculdade pública”, disse.


“Estamos na luta porque vimos o que foi o governo Bolsonaro. Foi um governo de cortes, um governo onde as pessoas estavam sendo massacradas, passando fome, tendo direitos perseguidos. Por isso, estamos na rua”, disse.


A estudante Raissa Bispo, de 21 anos, cursa Design na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela defendeu o voto em Lula por entender que Flávio Bolsonaro representa uma ameaça à democracia.


“Ele próprio declarou ontem que quer mudar a Constituição, o que é uma ameaça para a gente, é uma ameaça para os nossos direitos. Importante a gente estar aqui para lutar pela soberania e lutar pelos nossos direitos”, afirmou.



Apoio internacional

As manifestações estudantis iniciadas segunda-feira, em Niterói, estão tendo repercussão internacional e receberam o apoio do Movimento Internacional da Juventude pela Paz através do Desenvolvimento, do Instituto Schiller, (https://youth.schillerinstitute.com/), que enviou na terça-feira, 6, uma "mensagem aos jovens do Brasil, que estão se mobilizando para garantir a reeleição do presidente Lula da Silva". O comunicado diz:


"O Brasil encontra-se em uma encruzilhada histórica, assim como todo o Sul Global. Quinhentos anos de ordem colonial estão chegando ao fim, e nós, membros do Movimento Internacional da Juventude do Instituto Schiller, nos unimos à juventude brasileira na exigência de um novo e justo paradigma mundial.

Os brasileiros precisam de um governo que trabalhe e invista em seu povo. O presidente Lula da Silva representa um compromisso comprovado ao desenvolvimento econômico com inclusão social, tanto para o Brasil quanto para o mundo. O firme apoio de Lula aos países do BRICS+ conferiu ao Brasil autonomia estratégica, abriu novos mercados, e garantiu investimentos vitais para o desenvolvimento, sem se submeter aos ditames coloniais ultrapassados do FMI e dos grandes bancos. Perder essa visão agora seria um retrocesso histórico. Lula construiu pontes com o Sul Global, fortalecendo sua voz. Seu forte foco no combate à pobreza e à fome é essencial.

Para que o Brasil, o Sul Global, e a humanidade prosperem, precisamos de uma nova arquitetura internacional de segurança e desenvolvimento, que seja mutuamente benéfica para todos os participantes (win-win) – e que ponha fim de forma definitiva à austeridade e aos ataques à soberania que Wall Street e a City de Londres estão impondo mundo afora."



O que foi a "Passeata dos cem mil"


A Passeata dos Cem Mil foi uma manifestação popular contra a ditadura militar brasileira. Organizada pelo movimento estudantil, ocorreu em 26 de junho de 1968, na cidade do Rio de Janeiro, e contou com a participação de artistas, intelectuais e outros setores da sociedade brasileira.


Agenda de mobilização estudantil

A agenda de mobilização dos estudantes - entre atos já realizados e os que estão programados até agora - em apoio à reeleição do presidente Lula é a seguinte:


Já realizados

5 de outubro

RJ: UFF – Faculdade de Direito, às 19h

DF: UnB, UDF, UnDF e IFB, encontro virtual, das 19h30 às 20h30


6 de outubro

RJ: Unirio, às 14h; UFRJ – Faculdade Nacional de Direito, às 18h; UFF, às 18h30

BA: UEFS, às 15h30, na Praça do Borogodó; UFRB – Cruz das Almas, às 19h; UFSB – Eunápolis, às 20h

PE: UFPE – Recife, às 17h; UFPE – Caruaru, às 18h

PR: UEM – Maringá, às 18h30, no Auditório Ney Marques, bloco D03

AM: UFAM – Parintins, às 19h, no Hall do ICSEZ

Próximas mobilizações


7 de outubro

SP: Mackenzie, às 9h30 e 19h30

RJ: ato estudantil, às 12h, com concentração na Candelária e caminhada até o Colégio Pedro II, no Centro

AL: UFAL, às 14h

AM: IFAM – Campus Manaus Centro, às 15h, no CDI; UFAM, às 16h, no Hall da FCA

PA: UFPA, às 16h; UEPA, às 16h, no Hall do CCSE

PE: UPE, às 17h; UFRPE – sede, às 17h

RS: UFRGS, às 17h30

BA: UFBA, às 18h, no PAC

PR: UTFPR – Curitiba, às 19h; Unicentro, às 19h; UFPR – pós-graduação, às 19h


Programados

8 de outubro

DF: UDF, às 11h30 e 18h30; UnB, às 12h e 18h

TO: UFT, às 16h

AM: UEA, às 16h, no Hall da ENS

MA: UFMA, às 16h, na Ágora do CCH

PI: UFPI – Teresina, às 16h, na Praça da Filosofia, CCHL

MG: UFMG, às 17h; UFJF, às 18h

SP: USP, às 17h; UFABC, às 18h

RS: Unisinos, às 17h30; UFSM, às 18h

SE: UFS, às 18h, na entrada da universidade

PE: UFRPE – UACSA, horário não divulgado

Virtual: IF Faz Tudo, às 18h30


9 de outubro

MG: ato “Estudantes contra Flávio Bolsonaro”, às 17h, na Praça Afonso Arinos, em Belo Horizonte

RS: FURG, às 18h

MA: UEMA – São Luís, às 18h, no Auditório do CCSA

PR: UEPG, às 19h

PE: UFRPE – UABJ, horário não divulgado


10 de outubro

PE: UFRPE – UAST, horário não divulgado


13 de outubro

BA: Feira de Santana, às 16h, em frente ao Colégio Gastão

RJ: UFRJ – Fundão, às 18h


Com informações da Mídia Ninja e Agência Brasil

 
 
 

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