EUA fracassam na ONU e mundo exige o fim do bloqueio contra Cuba
- há 2 horas
- 4 min de leitura

Os Estados Unidos fracassaram nesta terça-feira (7) na tentativa de impedir que a Assembleia Geral da ONU debatesse a escalada das agressões que, segundo Cuba, Washington vem promovendo contra a ilha.
O debate intitulado "Necessidade de acabar com o bloqueio comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América a Cuba" foi solicitado por Havana, que apresentou um pedido formal para incluir esse tema específico na pauta, com o objetivo de denunciar a política de bloqueio imposta pela Casa Branca.
No início da sessão, o representante dos Estados Unidos na ONU, Jeff Bartos, pediu expressamente que a inclusão do debate na pauta fosse rejeitada. No entanto, a iniciativa recebeu apoio esmagador, com 136 votos a favor na Assembleia Geral da ONU, superando manobras processuais e objeções levantadas pela delegação dos EUA. Nove países votaram contra — entre eles os tradicionais votos dos Estados Unidos e de Israel, além de Argentina, Costa Rica e Paraguai -, e 30 Estados se abstiveram.
Segundo dados apresentados pelo Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, durante a sessão, os prejuízos econômicos causados pelo bloqueio entre março de 2025 e fevereiro de 2026 totalizaram 8,103 bilhões de dólares a preços correntes. Esse valor representa um aumento de 7% em relação ao período anterior, elevando o impacto acumulado dessa política de estrangulamento para 178,7 bilhões de dólares.
Durante seu discurso, Rodríguez Parrilla afirmou que os Estados Unidos e, em particular, o Departamento de Estado, “difundem a mentira de que o bloqueio não é dirigido contra o povo cubano, mas apenas contra o governo”.
O chanceler cubano disse ainda que Washington obriga outros Estados a romper ou reduzir suas relações com Cuba “não por interesse próprio nem por desvantagens comerciais, mas por imposição de um regime estrangeiro”. Ao mesmo tempo, rejeitou qualquer tentativa de impor, a partir do exterior, o sistema político, o modelo econômico ou as relações internacionais do país.
Durante o debate, diversos países, organizações e blocos internacionais exigiram o fim do bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético imposto pelos EUA contra a maior das Antilhas.
Porta-vozes alertaram para a intensificação dessas políticas nos últimos meses e detalharam as graves consequências humanitárias sofridas pela população da ilha. Eles denunciaram como o cotidiano é afetado por apagões prolongados, pela paralisação do transporte público, por falhas na distribuição de água potável devido à interrupção do funcionamento de bombas e por dificuldades na conservação de alimentos.
Também condenaram o impacto em setores vitais, como educação e saúde pública, ressaltando que hospitais são forçados a operar com geradores de emergência em meio à escassez de medicamentos e insumos médicos, além de interrupções nos programas de vacinação.
O Grupo Africano somou-se a essas vozes, citando alertas de especialistas em direitos humanos da ONU e do Secretário-Geral da organização sobre um possível "colapso humanitário" na nação caribenha.
Os oradores criticaram o bloqueio energético destinado a cortar o fornecimento de combustível — o que desencadeou a atual crise elétrica — e exigiram a revogação do Título III da Lei Helms-Burton e a retirada de Cuba da lista unilateral de Estados patrocinadores do terrorismo; esta última medida foi descrita durante a sessão como o maior obstáculo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Representantes do Movimento de Países Não Alinhados (MNA), do Grupo dos 77 e China — nação que denunciou as medidas unilaterais impostas há seis décadas como causadoras de uma "imensa catástrofe" para o povo cubano —, da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU afirmaram que as políticas coercitivas dos Estados Unidos contradizem abertamente os princípios de igualdade soberana, não intervenção e resolução pacífica de controvérsias.
A União Europeia reconheceu o impacto humanitário negativo da política dos EUA sobre as famílias cubanas em meio a condições de vida cada vez mais difíceis, reafirmando que a Carta da ONU deve servir como marco orientador. Por sua vez, a delegação russa descreveu a situação como uma política de pressão ilegal contra uma nação soberana, imposta por meio de um bloqueio financeiro, logístico e tecnológico.
O diplomata russo contrastou os graves danos sofridos pela população civil com a resiliência demonstrada pela economia cubana e reafirmou o compromisso de seu governo em prestar assistência solidária — por meio de organizações internacionais — para aliviar a insegurança alimentar.
Adotando uma abordagem construtiva e pacífica, a delegação da Comunidade do Caribe (CARICOM) defendeu o multilateralismo, sustentando que as divergências bilaterais devem ser resolvidas por meio de canais diplomáticos eficazes.
O bloco saudou os recentes contatos entre Cuba e os Estados Unidos, instando ambos os governos a continuarem explorando essas vias de reaproximação com urgência e de boa-fé. Apresentando-se como amigos de ambas as nações, os países caribenhos expressaram sua disposição em contribuir para a normalização das relações.
Durante a sessão extraordinária, a delegação da Eritreia — falando em nome do Grupo de Amigos em Defesa da Carta da ONU — alertou contra tentativas de construir narrativas falsas para justificar o uso da força.
O grupo instou a comunidade internacional a assumir uma posição clara em prol da paz e a impedir qualquer forma de agressão militar direta contra Cuba. Alertou que uma intervenção armada teria consequências humanitárias devastadoras e comprometeria gravemente a estabilidade política e a segurança de toda a região da América Latina e do Caribe.
Em vigor há mais de seis décadas, o bloqueio dos EUA contra Cuba é o mais longo da história moderna e passou por sucessivos endurecimentos ao longo dos anos. Trata-se de um instrumento de guerra econômica e coerção política que busca deliberadamente limitar a capacidade econômica da ilha com o objetivo de “forçar uma mudança de governo”. Ao longo de mais de 60 anos, o bloqueio tem sido uma política de Estado em Washington, independentemente das mudanças de governo, embora com variações em sua intensidade.
Com a Telesur





