EUA reagem a ataque de Bolsonaro às eleições americanas


(Foto: Isac Nóbrega/PR)

Depois de desferir diversos ataques às urnas eletrônicas do Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PL) resolveu colocar em dúvida também o sistema eleitoral norte-americano, e levou o troco do governo estadunidense. Através da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o governo Joe Biden respondeu dizendo que nos EUA as eleições são "livres, justas e confiáveis", e que tem "orgulho da longa história de eleições livres" no país.

Às vésperas de seguir para Cúpula das Américas em Los Angeles e para o encontro com o líder norte-americano, Bolsonaro questionou, em entrevista ao site de notícias SBT News na terça-feira (7), a transparência das eleições de 2020 nos EUA e citou que uma suposta "fraude eleitoral" poderia ter acontecido.

Na entrevista, Bolsonaro chegou a citar que o ex-presidente Donald Trump estava "indo muito bem" na eleição, e questionou o resultado, como costuma fazer, sem provas, também em relação às urnas eletrônicas brasileiras.

"Quem diz é o povo americano. Eu não vou entrar em detalhes na soberania de outro país. Agora, o Trump estava muito bem. E muita coisa chegou para gente que a gente fica com pé atrás. A gente não quer que aconteça isso no Brasil. Tem informações de próprios brasileiros que teve gente que votou mais de uma vez", afirmou, toscamente, Bolsonaro.

Em nota enviada à imprensa nesta quarta-feira (8), a embaixada reagiu: "As eleições são a expressão mais visível de uma democracia, e os Estados Unidos têm orgulho da longa história de eleições livres, justas e confiáveis que passam por um processo minucioso e resistem ao desafio do tempo."

Declaração falsa de Bolsonaro

Ainda durante a entrevista Bolsonaro também acusou a Justiça Eleitoral brasileira de "perseguição" contra o deputado estadual Fernando Francischini (União-PR), que teve o mandato cassado por ter afirmado que as urnas foram fraudadas para impedir o voto em Bolsonaro em 2018.

"E digo mais: a opinião dele é exatamente igual à minha. Igual à minha. Tá? Porque vários vídeos chegavam para mim, chegou para ele também, de pessoas que iam votar e, quando apertavam o número 1, já dava por encerrada a votação e aparecia a foto do candidato 13, o Haddad, ali do lado", disse Bolsonaro.

Conforme o UOL, a declaração de Bolsonaro sobre as urnas é falsa. Uma checagem feita pelo Projeto Comprova, na ocasião, apontou que vários eleitores não encontraram Bolsonaro nas urnas porque digitavam o número 17 ao votarem para governador, e não presidente. Isso também foi esclarecido pelo TRE-MT. Já os vídeos em que o nome de Haddad aparece quando se digita o número de Bolsonaro são montagens, conforme publicado pelo UOL também na ocasião.

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