EUA tentam aplicar a Cuba 'revolução colorida', diz Rússia


Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel (Foto: Divulgação/Granma)

Os Estados Unidos estão tentando aplicar a Cuba o cenário de "revolução colorida", disse nesta quinta-feira (15) Maria Zakharova, a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"A lógica aqui é simples. Ela já foi testada muitas vezes por Washington em diferentes situações, mas tudo na mesma forma – na instigação de 'revoluções coloridas' contra regimes indesejáveis. No início contra eles são introduzidas sanções, são criados ou impostos do exterior problemas artificiais, que agravam a situação socioeconômica. Com base nisso, são provocadas tensões e inflamados os sentimentos antigovernamentais", disse Zakharova.

"E quando a 'massa crítica' se acumula, a culpa é atribuída ao governo nacional. Ele é rotulado, suas atividades são desacreditadas de todas as maneiras, e dessa forma a situação é levada até o colapso. O mesmo algoritmo eles estão tentando aplicar agora a Cuba", acrescentou a representante oficial.

De acordo com ela, "apesar de todas as medidas aplicadas pelas autoridades centrais cubanas para manter a economia do país e ajudar a população, são elas que são acusadas por Washington pela atual situação de crise".

A diplomata russa disse ainda que, como sempre, os norte-americanos ocultam suas próprias atividades subversivas e intenções conjunturais.

"Sem fazer quaisquer paralelos, gostaria de recordar aos colegas americanos sobre os recentes acontecimentos em sua própria vida política interna. Onde estavam suas preocupações com os valores humanitários, pluralismo político e liberdades democráticas quando por todos os EUA eram capturados os participantes da 'invasão do Capitólio' em 6 de janeiro, acusados de 'terrorismo interno' e de [ter] visões políticas diferentes e sendo atualmente responsabilizados, inclusive criminalmente?", questionou Zakharova.

No domingo passado (11), milhares de cubanos saíram às ruas no país exigindo eleições livres e reformas sociais. De acordo com mídia local, protestos ocorreram em oito cidades cubanas, incluindo Havana. Por sua vez, os apoiadores do governo e do Partido Comunista realizaram suas próprias contramarchas.

Atualmente Cuba está sob um bloqueio comercial dos EUA, imposto na década de 1950. Apesar de tentativas anteriores de normalizar os laços bilaterais, durante a administração Trump Washington endureceu o embargo, aplicando à nação caribenha 243 novas sanções econômicas.

Díaz-Canel: 'guerra não convencional'

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel alertou nesta quarta-feira (14) que os distúrbios registrados em algumas áreas do país respondem a "todos os preceitos da guerra não convencional". Segundo ele, existe um setor conservador da população que não quer o desenvolvimento da Revolução Cubana nem aspira a uma relação civilizada, e as ações desenvolvidas mais recentemente visariam desferir um golpe suave contra a ilha caribenha.

“Esse setor muito conservador une a máfia cubano-americana. Em torno disso, as principais aspirações desse setor conservador têm sido justamente tentar aplicar uma política de golpe brando contra nosso país”, disse Díaz-Canel, durante o programa Mesa Redonda.

Grupo de Puebla

O Grupo de Puebla (fórum político e acadêmico de representantes da esquerda da região) emitiu um comunicado na quarta-feira expressando seu apoio ao povo e ao governo cubano diante das ações desestabilizadoras dos últimos dias e na rejeição ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha há mais de 60 anos. Assinam o documento, entre outros, a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

O grupo convida o presidente dos EUA, Joe Biden, a levantar o bloqueio contra Cuba e a avançar no processo de normalização das relações entre os dois países. E faz um apelo a todos os setores de Cuba para que encontrem um caminho de paz e de diálogo que ajude a superar a situação atual no marco das reformas propostas por Díaz-Canel.


Com a Sputnik

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