Ex-assessor de Flávio detona o clã Bolsonaro


Jair Renan com a mãe, Ana Cristina, ex-mulher de Jair Bolsonaro, e a mansão no Lago Sul (Reprodução)

Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), contou em entrevista ao portal Metrópoles que, quando trabalhou no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), era obrigado a entregar 80% do seu salário - mas não apenas isso, e tinha que entregar também porcentagem igual sobre o 13º salário, férias, vale-alimentação e até da restituição do Imposto de Renda. Era essa a "condição para a manutenção do emprego".

Marcelo Luiz foi assessor do senador, que na época era deputado estadual, no período entre 1º de fevereiro de 2003 até 6 de agosto de 2007.

Segundo Marcelo, os valores eram sacados e repassados em dinheiro vivo nas mãos da então mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, que naquela época também era chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). Ele disse ainda que outros funcionários dos gabinetes de Flávio e Carlos também entregavam os montantes todos os meses a Ana Cristina - posteriormente, a arrecadação dos recursos teria ficado com Fabrício Queiroz, então motorista de Jair Bolsonaro.

"Tudo foi negociado com ela [Ana Cristina]. Das pessoas que não trabalhavam, que eram só laranjas, ela ficava com praticamente tudo. Só dava uma mixaria para usar a conta e o nome da pessoa", disse Marcelo.

Com a quebra de sigilos bancário e fiscal de Ana Cristina e Carlos Bolsonaro autorizada pela Justiça no âmbito das investigações do esquema das rachadinhas, foi possível identificar os saques mensais feitos por Marcelo Luiz. O ex-funcionário diz que devolveu, ao todo, cerca de R$ 340 mil.

A relação de Marcelo Luiz com o clã Bolsonaro também inclui uma proximidade com Jair Renan Bolsonaro, filho de Ana Cristina com Jair Bolsonaro.

O ex-assessor contou que o próprio presidente pediu a ele, após a separação do casal, que fosse morar com a ex-esposa para ser "babá" de Jair Renan, que então tinha 9 anos de idade.

Marcelo também contou ao Metrópoles que Ana Cristina é a real proprietária da mansão onde mora atualmente, no Lago Sul, região nobre de Brasília, com Jair Renan - ela diz que o imóvel é alugado. Segundo o ex-assessor, a advogada firmou contratos de gaveta com dois laranjas, que aparecem como titulares do negócio, para não chamar a atenção. A nova moradia da ex-mulher do presidente foi revelada há uma semana pela revista “Veja”.

Marcelo Luiz trabalhou na mansão, avaliada em R$ 3,2 milhões - segundo a revista -, entre fevereiro e junho deste ano e vem deste período a terceira acusação contra Ana Cristina. Ele afirmou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que trabalhava sem carteira assinada, que a situação era análoga à escravidão e que recebia um salário de R$ 1,3 mil por mês, bem inferior ao que havia sido combinado, de R$ 3 mil. Antes, ele já havia trabalhado na casa de Ana Cristina em Resende, no sul do estado.

Há dois meses, Jair Renan publicou uma foto no Instagram ao lado de Marcelo, a quem chamou de amigo. "Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa. Sua empatia e seu carinho são contagiantes, e eu serei eternamente grato".

Localizada, a defesa de Flávio Bolsonaro disse ao Metrópoles que desconhece as afirmações do ex-assessor e que o parlamentar não tem ciência de supostas irregularidades.

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