Ex-assessor de Trump aliado de Bolsonaro é preso nos EUA


Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon: encontros nos Estados Unidos (Reprodução)

Steve Bannon, principal conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e próximo da família Bolsonaro, entregou-se ao FBI nesta segunda-feira (15). Considerado o estrategista da extrema direita mundial, Bannon foi denunciado na sexta-feira passada pela Justiça dos EUA por desacato ao Congresso e por ter se negado a cooperar com as investigações sobre a invasão do Capitólio (o Parlamento norte-americano) no dia 6 de janeiro, que deixou cinco pessoas mortas e 140 policiais feridos.

Em 14 de outubro, Bannon faltou a uma audiência convocada pela Câmara dos Deputados e alegou estar protegido por privilégios executivos, embora não ocupe mais nenhum cargo dentro da Casa Branca.

Na intimação, a comissão da Câmara disse ter motivos para acreditar que Bannon tem informações relevantes sobre a invasão ao Capitólio. “Bannon, ex-estrategista-chefe e conselheiro do presidente, é cidadão particular desde que deixou a Casa Branca em 2017”, ressaltou a comissão.

Horas depois de se entregar, ele foi solto e deverá se apresentar à Justiça novamente na quinta-feira (18). Na saída, falando aos jornalistas, o extremista ainda ameaçou o governo de Joe Biden: “Estou lhes dizendo agora, essa será a ‘contravenção do inferno’ para Merrick Garland, Nancy Pelosi e Joe Biden”. Em seguida, jurou que sua equipe “seguirá para o ataque”, e concluiu: “Estamos derrubando o regime de Biden.”

Em agosto do ano passado, o ex-estrategista de Trump foi preso sob acusação de fraudar campanha de arrecadação de fundos para construção de muro na fronteira com o México. Iniciada em 2018, a campanha chamada "Nós construiremos o muro" arrecadou mais de 25 milhões de dólares (cerca de 141 milhões de reais). Bannon prometeu usar todo o valor arrecadado na obra, mas o dinheiro foi usado, entre outros fins, para financiar despesas pessoais e o luxuoso estilo de vida do fundador da campanha. Bannon se declarou inocente e foi solto, após pagar fiança de U$ 5 milhões.

Bannon é apontado como uma espécie de assessor político informal e guru do clã dos Bolsonaros desde 2018. Em agosto daquele ano, ele se reuniu com Eduardo Bolsonaro em Nova York. Na ocasião, o filho 03 de Jair Bolsonaro disse que o extremista de direita era um entusiasta de seu pai e que iriam "somar forças, principalmente contra o marxismo cultural". No primeiro turno das eleições, Bannon declarou apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. A estratégia de Bannon consiste principalmente em espalhar notícias falsas (fake news) contra adversários políticos nas redes sociais.

No Brasil, a Polícia Federal monitora Bannon em relação às eleições em 2022. Bannon já atacou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e levantou dúvidas quanto à segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Bolsonaro e seus seguidores usam métodos de desinformação iguais em redes sociais.

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