Ex-diretor da PF diz não se lembrar de investigação sobre Covaxin


Delegado Rolando Alexandre de Souza, ex-diretor da Polícia Federal: "...eu não vou lembrar" (Reprodução)

O delegado Rolando Alexandre de Souza, ex-diretor da Polícia Federal, disse nesta quarta-feira (23) que não se lembra se o presidente Jair Bolsonaro lhe pediu para abrir uma investigação sobre indícios de corrupção na compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Cavaxin. As suspeitas foram levadas, pessoalmente, a Bolsonaro no dia 20 de março pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão, Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. Segundo o parlamentar, o presidente lhe respondeu que iria acionar a PF.

O ex-diretor declarou que não irá “parar para pensar”. “Tem que ver na polícia. Se me perguntar o que chegou e o que não chegou, eu não vou lembrar”, disse ele. Já a Polícia Federal, citada pelo Globo, informou que não fará comentários sobre eventuais investigações.

Rolando foi nomeado diretor da PF em 4 de maio de 2020, depois que o Supremo Tribunal Federal barrou a escolha do delegado Alexandre Ramagem para o cargo por ser amigo da família Bolsonaro e ter sido chefe da segurança da campanha para presidente. Ele ficou no cargo até 9 de abril de 2021.

A Covaxin foi a vacina mais cara adquirida pelo governo - cada dose saiu ao custo de US$ 15. A compra do imunizante, feita na gestão do general Eduardo Pazuello, foi a única para a qual houve um intermediário e sem vínculo com a indústria de vacina, a empresa Precisa Medicamentos. O preço da compra foi 1.000% maior do que era anunciado seis meses antes pela fabricante de Nova Délhi. No total, o governo pagou R$ 1,61 bilhão pelo contrato.

Ao contar sobre a reação de Bolsonaro, o deputado Luís Miranda declarou: "Ele disse para mim com todas as letras: 'Deputado, é grave'. Ele falou até para o meu irmão: 'Obrigado por trazer isso para mim, porque isso aqui é grave, gravíssimo'. Vou entrar em contato agora com o DG [diretor-geral] da Polícia Federal e encaminhar a denúncia para ele".


Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg